Balneário Camboriú desbanca Dubai e pela primeira vez terá cruzeiro de luxo no Réveillon
Balneário Camboriú receberá pela primeira vez um navio de cruzeiro fundeado diante da Praia Central durante o Réveillon. A Explora Journeys, marca de luxo do grupo MSC, escolheu a cidade para a virada de 2027 para 2028, quando o Explora I deverá permanecer no mar para que seus hóspedes assistam à queima de fogos.
A escala substitui uma passagem inicialmente prevista por Dubai e coloca a cidade catarinense à frente do Rio de Janeiro na disputa pela operação. Pesaram na decisão a possibilidade de reservar uma área exclusiva para o fundeio do navio durante a virada — condição considerada inviável em Copacabana — e os indicadores de segurança em Balneário Camboriú.
Com capacidade para cerca de 900 passageiros, o Explora I é voltado ao segmento de luxo. A bordo, reúne lojas de marcas como Cartier e Rolex e uma suíte de 500 metros quadrados assinada pela designer espanhola Patricia Urquiola.
A expectativa da companhia é que a operação atraia, sobretudo, viajantes estrangeiros: segundo o chefe de Portos e Experiências da Explora na América do Sul, Wellington Zampronio Zarpellon, cerca de 80% dos hóspedes da marca em viagens internacionais são norte-americanos.
Cidade prepara operação inédita para a virada
A chegada do Explora I exigirá uma operação específica em Balneário Camboriú. Embora o município já esteja na rota de cruzeiros marítimos, será a primeira vez que uma embarcação permanecerá fundeada diante da Praia Central durante a noite de Réveillon, período de maior concentração de turistas na cidade.
Os detalhes sobre desembarque de passageiros, transporte por embarcações de apoio, área de fundeio, protocolos de segurança e integração com os serviços em terra ainda serão definidos para a temporada 2027-2028. O planejamento deverá envolver a companhia marítima, o Atracadouro Barra Sul, administrado pelo Grupo Tedesco, e os órgãos responsáveis pela operação no mar e em terra.
Para o secretário de Turismo de Balneário Camboriú, Evandro Neiva, a escala adiciona um diferencial comercial ao destino. “Além do destino, o Réveillon passa a ser um atrativo dentro da própria venda do cruzeiro”, afirma.
A preparação envolve também a programação da virada. A prefeitura prevê ampliar o espetáculo pirotécnico de nove balsas no próximo Réveillon para dez no ano seguinte. A estrutura deverá se distribuir pelos quase seis quilômetros de orla, com 15 minutos de fogos.
Segundo Neiva, a antecedência permite que o município conheça o horário de chegada e saída da embarcação, o número de passageiros e o perfil dos visitantes, informações que podem orientar serviços turísticos, roteiros e experiências em terra. “A operação de um transatlântico tem uma característica muito importante: ela é previsível. Nós sabemos o horário de chegada, o horário de saída e quantos passageiros estão embarcados”, diz.
A expectativa é que os cruzeiristas tenham o dia para circular pela cidade e retornem ao navio para assistir à queima de fogos antes de seguir viagem. Os passeios podem ser contratados antecipadamente, no momento da compra do cruzeiro, ou no próprio destino, com opções que vão de visitas guiadas e atividades de aventura a roteiros personalizados.
Escala mira turismo de alto padrão
Para o Atracadouro Barra Sul, a chegada do Explora I combina potencial de consumo direto e exposição de Balneário Camboriú a viajantes e operadores ligados ao turismo de alto padrão. A avaliação é que esses dois efeitos caminham juntos: o passageiro que desembarca movimenta serviços locais, enquanto a experiência da escala ajuda a projetar a cidade entre quem vende e organiza roteiros internacionais.
A administração do atracadouro afirma que, em navios com esse perfil, as excursões costumam estar incluídas no roteiro. Por isso, a expectativa é que os hóspedes desembarquem para conhecer o destino. “Isso representa consumo direto em passeios, gastronomia, comércio, serviços turísticos e experiências oferecidas em Balneário Camboriú e na região”, destacou Juliana Tedesco, do grupo que administra o atracadouro.
A escala de Réveillon terá um diferencial em relação a uma parada convencional. “O que muda é o cenário: a operação ocorrerá na noite de maior público da temporada e durante o maior evento turístico do município”, completou ela.
A avaliação é que a operação pode demonstrar o potencial de Balneário Camboriú para receber esse tipo de público e abrir espaço para um novo mercado de escalas futuras. Tedesco ressalta que o atracadouro recebeu outras embarcações de luxo desde o início das operações internacionais na cidade, mas classifica a parada durante a virada como especial por associar o cruzeiro ao produto turístico que o município promove há anos: o Réveillon.
Para a diretora-executiva do BC Convention, Ludiane Goulart, o ganho não se limita ao aumento pontual de visitantes. Ela afirma que a cidade tem a oportunidade de criar uma conexão com um público “altamente qualificado” e fazer com que Balneário Camboriú seja visto como uma alternativa de viagem além da escala de poucas horas.
“Pode ir além de uma escala, pode se transformar no próximo destino desse viajante”, argumentou. Segundo Ludiane, empresas da região passaram, nos últimos anos, a demonstrar maior disposição para personalizar serviços e montar experiências exclusivas.
Entre as possibilidades citadas por ela estão experiências gastronômicas reservadas, com menus personalizados; compras com atendimento privativo; navegação pela costa; e atividades ao nascer do sol em atrativos turísticos. A diretora-executiva afirma que o desafio não é necessariamente criar uma nova oferta de luxo, mas dar unidade à estrutura disponível.
“O próximo passo é conectar melhor os produtos existentes e transformar essa oferta em uma experiência de destino”, afirma. Para ela, o visitante precisa enxergar uma jornada completa, personalizada e segura, em vez de encontrar apenas bons serviços isolados.
“O luxo está cada vez menos relacionado à ostentação e cada vez mais associado à qualidade da experiência, ao acesso, à exclusividade e à forma como o destino faz o visitante se sentir”, diz Ludiane.