Protestos contra o custo de vida na Alemanha terminam em violência e lojas saqueadas

1 de Nov de 2026 - 19:40
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Protestos contra o custo de vida na Alemanha terminam em violência e lojas saqueadas
    • Author, James Chater
    • Role, BBC News
  • Published Há 39 minutos
  • Tempo de leitura: 6 min

Lojas foram saqueadas no centro de Frankfurt na noite de sábado (31/10), em meio a confrontos em cidades alemãs durante protestos contra o alto custo de vida.

Além de Frankfurt, centro financeiro da Alemanha, foram registrados episódios de violência em Berlim, Colônia e Hamburgo. A polícia informou que usou jatos d'água para dispersar manifestantes que atacavam equipes de emergência com fogos de artifício, pedras e garrafas.

Milhares de pessoas participaram de manifestações, em grande parte pacíficas, mais cedo no mesmo dia. Elas foram organizadas pelo movimento Gen Z regelt ("a geração Z assume o controle", em tradução livre). Os protestos foram motivados pela falta de investimentos nas escolas, pelo alto custo de vida, pelos cortes nos gastos públicos e pelo serviço militar.

Os protestos na Alemanha ocorrem após semelhantes lideradas por jovens na França, onde mais de 320 mil pessoas também foram às ruas no sábado.

No domingo, o ministro do Interior da Alemanha, Alexander Dobrindt, disse ao jornal Bild que a polícia conseguiu impedir, durante a noite, episódios de violência . Ele também defendeu "punições severas" para manifestantes envolvidos em tumultos e saques.

Durante a madrugada, um grande trecho da principal rua comercial de Frankfurt foi isolado pela polícia. Um porta-voz da corporação afirmou que muitas pessoas foram presas na cidade.

As autoridades de Frankfurt, Munique e Berlim estimaram em até 18 mil o número de manifestantes — cerca de metade do previsto pelos organizadores em seu site. A imprensa alemã, porém, informou que dezenas de milhares de pessoas protestaram em cidades do país no sábado.

A porta-voz do movimento Gen Z regelt, Lina Friedrich, disse que as manifestações tinham como objetivo "lutar pela paz e pela liberdade, e não pela guerra e pela coerção".

"Para nós, o mais importante é melhorar o apoio aos sistemas de saúde e educação. Somos contra o serviço militar obrigatório e defendemos uma distribuição mais justa dos encargos", afirmou.

Na noite de sábado, a polícia de Frankfurt informou que "tumultos violentos" estavam ocorrendo no centro da cidade e que unidades especiais haviam sido mobilizadas.

Segundo a polícia, as vitrines de várias lojas foram quebradas e coquetéis molotov foram lançados contra equipes de emergência.

As autoridades também informaram que a vitrine de uma loja de armas foi destruída e que duas armas foram apreendidas após a prisão de um suspeito. Outras lojas foram invadidas, e produtos como tênis foram roubados.

Roman Poseck, ministro do Interior do estado de Hesse, cuja maior cidade é Frankfurt, afirmou que "cerca de 100 extremistas de esquerda claramente identificados" haviam se infiltrado no protesto na cidade. Ele acrescentou que era "vergonhosa" a forma como as manifestações terminaram.

"Todos temos aquelas imagens da França em mente: saques, casas incendiadas, viaturas policiais em chamas e ataques a policiais... A França não deve ser considerada um modelo nesse sentido."

A polícia informou que a situação se acalmou durante a madrugada de sábado para domingo.

Episódios semelhantes foram registrados em outras cidades alemãs, após manifestações que, em sua maioria, transcorreram pacificamente.

Em Colônia, a polícia informou que agentes foram atacados perto da principal estação ferroviária, com garrafas sendo arremessadas e até uma bicicleta lançada contra eles.

O chefe da polícia de Colônia, Johannes Hermanns, disse que era "profundamente lamentável que grupos de jovens que queriam protestar pacificamente pelo próprio futuro tenham sido infiltrados por extremistas que só tinham em mente a violência".

Em Berlim, uma manifestação menor realizada à noite, após protestos maiores durante o dia, deixou 27 policiais feridos e resultou na detenção temporária de até 56 pessoas, segundo a polícia local.

Em Hamburgo, pessoas vestidas de preto soltaram fogos de artifício e incendiaram barricadas. A emissora pública NDR informou que 120 pessoas foram presas.

Os protestos na Alemanha ocorreram no mesmo dia que outras grandes manifestações em diferentes partes da Europa.

Na França, mais de 320 mil pessoas participaram do terceiro fim de semana consecutivo de protestos, em sua maioria pacíficos, em cidades de todo o país. Os manifestantes cobravam medidas contra o alto custo de vida e a precariedade dos serviços públicos, especialmente na área da educação.

Milhares de policiais foram mobilizados em todo o país, e agentes lançaram gás lacrimogêneo contra manifestantes em algumas cidades.

Mais de 770 pessoas foram presas durante as manifestações de sábado na França, cerca de metade do número registrado nos protestos da semana anterior, segundo o Ministério do Interior francês.

O ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, afirmou que um policial ficou ferido após ser atingido por um coquetel molotov. Promotores franceses depois abriram uma investigação por tentativa de homicídio para apurar o caso.

A polícia de Paris informou que centenas de manifestantes envolvidos em tumultos atacaram as forças de segurança com objetos arremessados.

Os organizadores dos protestos na França, o movimento Gilets Jaunes (Coletes Amarelos), afirmaram que dezenas de manifestantes ficaram gravemente feridos durante as manifestações recentes em todo o país, muitos deles atingidos por "granadas".

A França suspendeu o uso de um tipo de granada de efeito moral durante a repressão a protestos estudantis no início de outubro, depois que um adolescente de 15 anos teve a mão amputada pela explosão de um desses artefatos. No entanto, o jornal francês Le Monde informou que a polícia continuou utilizando outro modelo de granada em manifestações posteriores.

Também houve protestos na Itália, com confrontos entre policiais e manifestantes em Roma e Turim.

Em Portugal, a polícia iniciou a retirada de um novo acampamento de barracas montado após milhares de pessoas marcharem contra um projeto de lei sobre aluguéis. Os manifestantes argumentam que a proposta pode agravar a crise habitacional no país, onde os preços dos imóveis mais que dobraram na última década.

Recentemente, manifestantes, em sua maioria jovens, foram às ruas de diversos países europeus, como França, Bélgica, Irlanda, Espanha, Portugal, Itália, Grécia, Sérvia e Albânia.

Embora as reivindicações específicas variem de um país para outro, os protestos têm se concentrado principalmente em questões relacionadas ao custo de vida, como o acesso à moradia, a qualidade da educação e os cortes nos serviços públicos.