Barroso minimiza crise no STF: “o mundo não acabou”
O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso admitiu, mas minimizou a crise na Corte em que trabalhou por 12 anos. Durante uma homenagem recebida na Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (5), o ex-magistrado afirmou que os episódios do caso Master geraram "divisão e desgaste". Opinou, no entanto, que a crise é passageira.
"De fato, não é um bom momento institucional. Mas o mundo não acabou. E também essa crise vai passar. A vida é feita de muitos recomeços", afirmou.
O discurso colocou lado a lado situações agrupadas como uma "crise dos Poderes". No Legislativo, Barroso destacou a relatoria do ministro Flávio Dino nas ações sobre o orçamento público. Além disso, ao falar do Planalto, mencionou o escândalo dos descontos associativos no INSS.. Segundo ele, as revelações de fraudes em descontos associativos "minam a credibilidade de agentes públicos".
Além do paralelo entre os poderes, o ex-ministro elencou episódios históricos dos últimos 50 anos. Ele começou pelo assassinato do jornalista Vladimir Herzog, em 1975 e terminou com a suposta tentativa de golpe de Estado, em 2022. Como conclusão, afirmou que, com sua experiência, não se assusta "com assombração".
Apesar disso, Barroso ressalvou que não pretende minimizar a crise atual. Seguiu observando que o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, e que a Polícia Federal (PF) está investigando o grupo de Daniel Vorcaro.
Relembre a crise no Supremo
O desgaste entre os ministros foi deflagrado no dia 1º de setembro de 2026, quando o ministro André Mendonça levantou o sigilo de um dos relatórios do caso Master. O documento focava nas relações entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
Em resposta, Moraes tornou públicos relatórios de inteligência da PF que falavam em irregularidades na atuação de Mendonça. As avaliações incluíam escolha de alvos por preferência política e condução de delações premiadas.
Logo depois, o presidente do Supremo, Edson Fachin, retirou de Moraes a relatoria do inquérito das fake news, que passou 2.736 dias nas mãos do magistrado. Houve uma sessão conturbada no dia 15 de setembro, que terminou sem uma definição sobre o futuro do ministro.
Em meio às revelações e troca de farpas, o PT mudou de posição e passou a defender mudanças no Judiciário. A campanha fala em mandatos para os ministros. Além disso, o presidente Lula (PT) chegou a defender que a indicação dos ministros não venha mais do chefe do Executivo, mas de um conselho formado pela sociedade civil.
Defensor do impeachment de ministros do Supremo, sobretudo Moraes, o PL foi o partido com mais votos nas eleições de 2026 e conseguiu eleger 19 senadores. Com isso, terá 28 no próximo mandato, tornando-se a maior bancada da Casa. Mesmo assim, ainda precisará de alianças, uma vez que a retirada dos membros do Supremo do cargo requer 2/3 dos votos, o que corresponde a 54 senadores.