Bolsonaros se consolidam como a mais bem-sucedida dinastia política do país

6 de Out de 2026 - 18:00
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Bolsonaros se consolidam como a mais bem-sucedida dinastia política do país

Mesmo cumprindo pena e com restrições severas de comunicação, Jair Bolsonaro (PL) viu seu poder familiar se expandir de forma inédita nas urnas. O primogênito contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Este e outros resultados expressivos coroam a consolidação de uma autêntica dinastia política.

A força do grupo familiar se estendeu a várias frentes legislativas: a esposa Michelle conquistou uma vaga no Senado pelo Distrito Federal, enquanto o filho Carlos foi eleito para a mesma Casa por Santa Catarina. No mesmo estado, o filho Jair Renan elegeu-se deputado federal, e Renato, irmão do ex-presidente, obteve uma cadeira na Câmara dos Deputados por São Paulo.

Ao todo, a família garantiu quatro novos assentos no Congresso Nacional e planeja expandir ainda mais seus espaços de poder.

A influência do sobrenome Bolsonaro suplantou os laços diretos de parentesco. O forte apelo da imagem e a identificação ideológica com o patriarca impulsionaram o PL a eleger uma bancada expressiva de 121 deputados federais e 28 senadores, além de dar palanque para a vitória de centenas de governadores e deputados estaduais pelo país, inclusive em outras legendas aliadas.

Essa trajetória de crescimento vem de anos anteriores. Em 2019, Jair Bolsonaro já contava com Flávio no Senado e mantinha os filhos Eduardo (deputado federal por São Paulo) e Carlos (então vereador no Rio de Janeiro) em posições estratégicas. Eduardo, inclusive, bateu recorde histórico em 2018 ao receber 1,84 milhão de votos.

Expansão eleitoral convive com disputas pela herança do patriarca

O avanço dos herdeiros políticos seguiu um cronograma constante: Eduardo renovou seu mandato em 2022, enquanto Carlos e Jair Renan venceram as eleições municipais de 2024 para vereador — este último estreando na política por Balneário Camboriú (SC).

Identificados historicamente pelo pai como "01, 02, 03 e 04" por ordem de nascimento, os irmãos construíram carreiras públicas consolidadas, deixando Laura, a caçula, como a única fora das disputas eleitorais.

Contudo, o crescimento nas urnas também evidenciou tensões internas e disputas pela herança política de Jair Bolsonaro. Atritos recorrentes entre Michelle e os enteados Carlos, Eduardo e Flávio marcaram os bastidores. O ápice do desgaste ocorreu com a aliança desenhada com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará, o que agravou os desentendimentos com Flávio.

O senador acabou pedindo desculpas públicas dias antes da convenção partidária de julho. A trégua selada em cima da hora conteve o desgaste de imagem e unificou o discurso, permitindo que a direita avançasse com força total rumo às urnas.

. Mas segue influente e mantém interlocução com a Casa Branca. Um eventual retorno dele ao país pode alterar o equilíbrio familiar, mas não deve ser apresentado como fato consumado nem como data definida.

De Vargas a Trump, sobrenomes têm poder, mas sem a garantia de sucesso

O avanço dos Bolsonaro evoca comparações históricas. Getúlio Vargas teve a filha Alzira como articuladora e o filho Lutero como deputado; Juscelino Kubitschek, a filha Márcia no Congresso e como vice no governo distrital. A neta Juliana herdou o legado de Leonel Brizola. Casos sem sucesso garantido.

Tancredo Neves morreu antes da posse; o neto Aécio perdeu a disputa presidencial de 2014. Miguel Arraes, avô de Eduardo Campos, que morreu durante a campanha. João, filho de Eduardo e bisneto de Arraes, perdeu o governo em Pernambuco. Tragédia e derrotas limitam as sucessões familiares.

Lula tem só um filho com histórico eletivo: Marcos Cláudio foi vereador. A filha Lurian, uma neta e Janja não formam uma sucessão eleitoral ainda. A primeira-dama negou pretender candidatar-se. Tais famílias como Sarney, Barbalho e a de Antônio Carlos Magalhães atestam longevidade no poder.

Os Trump oferecem paralelo com os Bolsonaro pelo vínculo entre família, direita e poder. Os Kennedy remetem à sucessão e à tragédia: John foi assassinado; Bolsonaro sobreviveu à facada de 2018. No Brasil, o capitão e ex-presidente projeta testes para até onde sua herança ainda irá nas urnas.

Jornalista de política e economia com foco na cobertura do Congresso Nacional. Passou pelos jornais Diário do Comércio (MG), Gazeta Mercantil, Estado de Minas, Brasil Econômico, Correio Braziliense e A Tarde (BA). **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.

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