Candidatos derrotados no 1º turno começam a definir apoio a Flávio e Lula
Com a definição da disputa entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) no segundo turno, os candidatos derrotados no domingo (4) já começam a discutir suas posições para a segunda etapa da eleição, marcada para 25 de outubro. Juntos, Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) receberam pouco mais de 7,5% dos votos válidos nesta primeira rodada.
Terceiro colocado, com 2,89% dos votos, o escritor Augusto Cury (Avante) foi o primeiro dos candidatos derrotados a descartar apoio tanto a Lula quanto a Flávio Bolsonaro. Após acompanhar a apuração em Ribeirão Preto (SP), o ex-candidato afirmou que pretende deixar a política e disse ter “100% de convicção” de que não continuará na atividade.
“Hoje eu tenho claro dentro de mim, 100% de convicção, que eu não vou continuar na política. Amanhã ninguém sabe, mas eu costumo não mudar de opinião quando eu tenho uma convicção muito grande, até porque nós temos vários projetos”, afirmou Cury, que estava acompanhado do candidato a vice, Júlio Delgado (Avante).
Sobre o apoio a nenhum dos dois candidatos, Cury pediu que seu nome não seja utilizado para manifestar preferência. “Eu me silencio completamente em relação àqueles que estarão no segundo turno. Ninguém está autorizado em meu nome e nem em nome do Júlio a pedir ou dizer que vai apoiar qualquer um dos candidatos”, afirmou.
Assim como Cury, Renan Santos (Missão) afirmou que não apoiará nenhum dos dois candidatos e liberou sua militância. O candidato terminou a primeira rodada com quase 2,7 milhões de votos (cerca de 2,24%) e disse que o resultado ficou muito abaixo das expectativas da campanha e do partido.
“Faz diferença? Façam o que quiserem. Eu já avisei que não voto em bandido, não recomendo que ninguém vote em bandido. Flávio é bandido, Lula é bandido, mas não faz diferença nenhuma. Façam o que vocês quiserem. A eleição já é do Flávio Bolsonaro”, afirmou Renan após a apuração.
Ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), Renan entrou na disputa defendendo uma agenda de direita e buscando se diferenciar tanto do PT quanto do bolsonarismo. Após o resultado, porém, afirmou que “não há direita no Brasil sem Bolsonaro” e disse que integrantes do MBL que quiserem deixar o movimento para se aproximar do bolsonarismo não enfrentarão oposição da organização.
Zema declarou voto em Flávio
Romeu Zema (Novo), que terminou o primeiro turno com pouco mais de 326 mil votos — cerca de 0,27% do total — afirmou, ainda no domingo, que estará contra o PT na segunda etapa da eleição. O ex-governador de Minas Gerais disse que o resultado das urnas representa, na sua avaliação, um avanço da direita e sinalizou que seu posicionamento será mantido nas disputas de segundo turno em que o partido de Lula estiver presente.
“Com esse avanço da direita, os intocáveis devem estar tremendo essa noite. Não vão dormir bem. Vamos ter um avanço muito grande no Senado, e isso sinaliza que teremos mudança. Onde tiver PT no segundo turno, estarei contra”, afirmou Zema.
O candidato acrescentou que pretende manter essa posição junto ao senador Eduardo Girão e ao Novo. “O PT é atraso, já teve todas as chances de mostrar para o que veio e o que entregou foi um país estagnado, repleto de corrupção. Onde tiver PT, eu, Girão e o partido [Novo] estaremos do outro lado”, disse.
Na segunda-feira (5), Zema declarou o apoio ao candidato do PL à Presidência. O ex-governador de Minas publicou um vídeo nas redes sociais, no qual afirma que não ficará “em cima do muro” e que votará em Flávio.
“A grande batalha agora é derrotar o Lula e o PT. Eu não vou me omitir, nem ficar em cima do muro nesse momento tão importante. Voto contra o PT, voto no Flávio Bolsonaro”, diz Zema.
Caiado também declarou apoio a Flávio no segundo turno
Quinto colocado, com pouco mais de 2,6 milhões de votos válidos (2,18%), Ronaldo Caiado (PSD) declarou seu apoio a Flávio Bolsonaro na tarde desta terça-feira (6).
"Vamos transformar o Brasil e devolver o país aos brasileiros de bem", afirmou Caiado ao lado de Flávio.
O candidato do PL, que tinha passado a manhã reunido com lideranças em Brasília, voou para Goiânia no início da tarde, junto com o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para participar do anúncio.
“Vou me inspirar muito na Segurança Pública de Goiás e de São Paulo. Se tem uma coisa que farei como presidente, é o que você, Caiado, fez aqui em Goiás: a gente vai arregaçar com vagabundo”, disse o candidato do PL durante o evento.
Antes do anúncio, o ex-governador de Goiás tinha deixado em aberto seu posicionamento para a segunda etapa da eleição. No domingo (4), Caiado afirmou que pretendia discutir a questão com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, antes de anunciar qual candidato apoiaria.
“Eu, neste momento, vocês sabem, vou guardar a minha coerência, mas jamais vou me pronunciar sem antes também estar reunido com o presidente do meu partido, Kassab”, afirmou Caiado após a apuração.
No mesmo dia, ao avaliar sua participação na disputa presidencial, o ex-governador de Goiás disse deixar a eleição com orgulho da campanha que realizou e afirmou que pretende continuar atuando na vida pública.
Caiado também classificou a disputa presidencial como “atípica” e criticou a falta de debates, além de mencionar temas como segurança pública, economia, relação entre os Poderes, endividamento da população e juros.
O PSD, por sua vez, adotou a neutralidade na disputa. Além de alianças estaduais com o PL de Flávio, a legenda conta com correligionários que apoiam Lula em alguns estados do Nordeste.
Com isso, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, liberou os diretórios estaduais e os filiados para escolherem entre Flávio Bolsonaro e Lula.
Os demais candidatos à Presidência tiveram desempenho inferior a 1% dos votos válidos no primeiro turno. Samara (UP), Hertz Dias (PSTU), Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Veterinário Wilson Grassi (Democrata) e Rui Costa Pimenta (PCO) ficaram fora da segunda etapa.