Brasil 'dá as costas ao futuro' em eleição com candidatos 'desoladores', diz The Economist
- Author, Redação
- Role, BBC News Brasil
- Published 24 setembro 2026, 17:55 -03Atualizado Há 32 minutos
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Em editorial publicado nesta quinta-feira (24/9), a influente revista britânica The Economist comparou o Brasil a um avião "parado na pista", que vai enfrentar mais uma desanimadora com candidatos "desoladores", diante de mais um confronto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a família Bolsonaro.
"Nenhum dos dois é convincente quando se trata de enfrentar os dois maiores problemas do Brasil: a corrupção entranhada e a expansão incessante dos gastos públicos", defende a publicação.
O texto começa elencando as riquezas naturais e a diversidade do povo brasileiro, mencionando a construção de Brasília na década de 1950, com "ruas traçadas no formato de um avião, simbolizando um país pronto para decolar".
"No entanto, ele continua parado na pista. Ao longo do último meio século, em vez de ganhar os céus, a economia brasileira estagnou tanto em relação a seus pares quanto em comparação ao crescimento médio global. A eleição geral de 4 de outubro oferece pouca esperança de uma reviravolta", escreve.
Essa não é a primeira comparação com decolagem que a revista faz sobre o Brasil. Em 2009, ela publicou a icônica capa em que estátua do , com o título "Brazil takes off" ou Brasil decola, na tradução para o português.
Quatro anos depois, em 2013, a revista conhecida pelo pensamento liberal na economia e progressista nos costumes, substituiu o otimismo por uma reportagem repleta de críticas ao país. Na capa, o Cristo aparecia em queda desgovernada. O título questionava se o Brasil havia jogado fora a chance de ser o "país do futuro".
A revista britânica, que defende reformas econômicas e redução dos gastos públicos, escolhe a candidatura de Renan Santos (Missão) como a que mais se "aproxima do que o momento exige", na concepção de seus editores.
"Mas nem ele nem qualquer outro outsider conseguiram avançar contra as máquinas políticas rivais de Lula e Bolsonaro. O país está caminhando para uma crise previsível", diz o texto.
"Assim, o futuro brilhante do Brasil ficará em suspenso por pelo menos mais quatro anos. Ele não está totalmente morto."
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A The Economist escreve que, "apesar da corrupção e da visão limitada dos políticos adeptos da distribuição de favores e verbas", muitas das instituições vitais do país ainda funcionam, como Polícia Federal, que tem investigado a fraude de Daniel Vorcaro, do banco Master, e "a conspiração golpista" da família Bolsonaro.
A revista elogia a imprensa "feroz e independente", a diplomacia "respeitada em todo o mundo" e "até mesmo o Supremo Tribunal Federal", que, "apesar de suas muitas falhas, foi capaz de mandar para a prisão alguém que conspirou por um golpe de Estado", referindo-se a Jair Bolsonaro.
Sobre os dois principais candidatos, o editorial diz que Lula, apesar de uma postura correta sobre o meio ambiente, "fez muito pouco para impulsionar o crescimento econômico ou conter os gastos públicos", "sem conseguir promover reformas econômicas".
A revista faz questão de mencionar a idade do presidente, prestes a completar 81 anos, o comparando com Joe Biden, que tinha a mesma idade quando desistiu de sua candidatura às eleições americanas em 2024.
Já Flávio Bolsonaro é descrito como alguém que "nega que os seres humanos estejam causando as mudanças climáticas, questiona a integridade das urnas eletrônicas e insinua que não respeitará o resultado caso Lula vença".
"Sua principal proposta é conceder perdão ao pai, que em setembro de 2025 recebeu uma sentença de 27 anos de prisão por planejar um golpe de Estado, incluindo um plano para assassinar Lula", diz o texto.
Com esse cenário, diz a revista, os "brasileiros comuns se sentem sem esperança".
Por fim, a revista pinta um cenário "provável" de uma crise causada pela "forte aceleração do nível de endividamento e dos custos de financiamento" do governo, gerando inflação e uma recessão.
"Talvez somente então os brasileiros se voltem para alguém disposto a defender a impopular ideia de que serão necessários sacrifícios para construir um futuro em que um país tão abençoado nunca mais seja condenado a escolher entre dois candidatos tão desoladores", conclui a publicação.