Brasil tem cerca de 10 milhões de postes em estado crítico

Dez milhões de postes do Brasil estão em estado crítico com fios demais O Brasil tem hoje 50 milhões de postes. Cerca de 10 milhões, em estado crítico. São fios soltos, ligações clandestinas, risco de queda. Há mais de três anos foi criada uma política nacional para a gestão desses postes, mas o impasse permanece. “Não cheguei a cair, só enrosquei e falei: ‘poxa, uma pessoa idosa, uma pessoa com algum tipo de limitação, ela pode cair”, diz o professor universitário René Batista Almeida. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Foi em um tropeço que o René começou a reparar melhor no caos descendo sobre a cabeça dele: René Batista Almeida: Fio no chão, encostado no carro. Colocam em cima do cesto, espalhado assim. Repórter: Todas as árvores do bairro têm um fio enrolado, né? René Batista Almeida: Quase todas têm, exatamente. Ali tem aqueles pendurados. Lá para cima tem mais. A gente fica com medo, não sabe se é fio de eletricidade, se é fio de internet, televisão, e oferecendo risco. No emaranhado de cabos tem de tudo - cabo de internet, telefonia, TV, cabo velho, cabo novo, equipamentos pendurados para conectar tudo isso. Quem não trabalha com telecomunicação não tem ideia do que tem aí. Quem trabalha, às vezes, também não. Em muitos casos é tão difícil encontrar onde está o problema que a empresa decide só puxar mais um cabo novo e, assim, vai aumentando a confusão. Brasil tem cerca de 10 milhões de postes em estado crítico Jornal Nacional/ Reprodução Os cabos são de telecomunicações, mas as empresas de energia elétrica são as donas dos postes, cobram pelo uso do espaço e deveriam organizar e fiscalizar. Agora há um plano do governo federal para melhorar a situação, que inclui uma empresa terceirizada para administrar os postes, o chamado “posteiro”. A Anatel quer uma empresa neutra, que não seja nem ligada às telecoms: “Se a empresa é dona da infraestrutura e, ao mesmo tempo, está atuando no varejo no setor de telecomunicações, isso pode trazer um problema concorrencial sério”, afirma José Borges, superintendente de Competição na Anatel. Nem ligada às elétricas, que são as responsáveis hoje. “As distribuidoras tiveram o seu espaço e a possibilidade de atuar nesse sentido. Como não o fizeram, a nossa proposta é que um terceiro agente o faça”, diz José Borges. Já a Aneel quer que as elétricas possam participar da concorrência para continuar administrando os postes. “A gente entende não haver um obstáculo concorrencial para que uma subsidiária da distribuidora preste esse serviço. Quem não demonstrar aptidão e capacidade técnica para prover a exploração desse serviço de infraestrutura não vai estar apta para prestar o serviço”, afirma André Ruelli, superintendente de Mediação Administrativa da Aneel. O assunto é urgente, porque a solução é demorada. Quando o plano estiver funcionando, a estimativa é de regularizar de 2% a 3% dos postes com problema por ano. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional