Cleitinho aciona TCE-MG e consegue suspender patrocínios de R$ 32 milhões a clubes mineiros
O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) suspendeu, em decisão cautelar nesta terça-feira (3), a destinação de R$ 32 milhões em patrocínios de empresas estatais aos times de futebol América-MG, Atlético-MG e Cruzeiro. Os recursos seriam repassados às sociedades anônimas do futebol (SAFs) dos três clubes, em uma iniciativa anunciada pelo governador Mateus Simões (PSD) para compensar perdas financeiras provocadas pela proibição das apostas esportivas.
A suspensão foi determinada pelo conselheiro em exercício Licurgo Mourão, após representação apresentada pelo governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos). A decisão questiona a falta de justificativas técnicas para os investimentos, de parâmetros objetivos para estabelecer os valores e de clareza sobre a finalidade dos repasses.
Com a liminar, as empresas envolvidas ficam proibidas de firmar novos contratos de patrocínio com clubes mineiros enquanto o Tribunal não concluir a análise do caso ou revogar a determinação. Se os acordos já estiverem assinados, os pagamentos e demais transferências devem ser interrompidos imediatamente.
O TCE-MG também estabeleceu prazo de 48 horas para que as estatais comprovem o cumprimento da ordem, sob pena de multa diária. A decisão já está em vigor e será submetida à apreciação dos demais conselheiros na próxima sessão da Primeira Câmara. O mérito da representação ainda será julgado.
Cleitinho questiona repasses em meio à dívida estadual
A representação apresentada por Cleitinho questiona os patrocínios envolvendo a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) e a Invest Minas.
Ao comentar a iniciativa nas redes sociais, o governador eleito relacionou os repasses à situação fiscal do Estado. Ele citou o refinanciamento da dívida mineira com a União, cujo saldo de R$ 179,3 bilhões foi renegociado por 30 anos por meio do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Também mencionou levantamento da imprensa segundo o qual Minas Gerais encerrou 2025 com caixa líquido negativo de R$ 11,3 bilhões.
Cleitinho afirmou que a destinação dos recursos ao futebol não corresponde às prioridades do estado, apesar de reconhecer sua ligação com o esporte.
"Todo mundo sabe o amor que eu tenho pelo futebol. Só que a gente tem outras prioridades", declarou. Em seguida, comemorou a suspensão dos contratos e disse que pretende direcionar investimentos à população: "A gente conseguiu suspender esse patrocínio de R$ 32 milhões que iria para time de futebol. A gente vai investir em vocês, no povo."