Nasa prevê queda de Telescópio Swift nesta quarta e fragmentos podem atingir o Brasil
O telescópio Swift da Nasa deve reentrar na atmosfera terrestre nesta quarta-feira (4), encerrando uma missão que durou quase 22 anos. A agência espacial americana prevê que a maior parte das cerca de 1,5 tonelada do observatório seja destruída durante a passagem pela atmosfera, mas alguns componentes mais resistentes podem chegar à superfície.
A previsão mais recente divulgada pela Aerospace Corporation indicava a reentrada para 7h19, no horário de Brasília, com margem de duas horas para mais ou para menos. Como o horário depende das condições da atmosfera e da velocidade com que o equipamento perde altitude, a estimativa pode sofrer alterações até os momentos finais.
A Nasa também alerta que o ponto exato da reentrada não pode ser determinado com antecedência.
O Brasil está dentro da faixa de possíveis trajetórias dos fragmentos. Isso, porém, não significa que os destroços necessariamente cairão no país. A área potencial de reentrada se estende entre 20,6 graus de latitude norte e 20,6 graus de latitude sul, uma faixa que inclui parte do território brasileiro e grandes áreas dos oceanos, além de regiões da América Central e do Sul, África, Ásia e Austrália.
Quando o telescópio Swift deve cair?
O telescópio Swift está em queda orbital há meses, processo acelerado pela resistência da atmosfera terrestre. Mesmo em altitudes muito elevadas, existe uma quantidade extremamente pequena de ar capaz de provocar arrasto. Ao longo do tempo, esse efeito reduz a velocidade do objeto e faz com que ele perca altitude.
No caso do Swift, a atividade solar também teve papel importante. O aumento da atividade do Sol aqueceu e expandiu as camadas superiores da atmosfera, fazendo com que o equipamento encontrasse mais resistência do que o previsto. Sem um sistema de propulsão próprio para manter sua altitude, o observatório passou a perder altura cada vez mais rapidamente.
Telescópio espacial Neil Gehrels Swift, da Nasa, operou por quase 22 anos e agora se prepara para reentrar na atmosfera terrestre.
Em 20 de outubro, o observatório chegou a aproximadamente 275 quilômetros de altitude. O arrasto já era forte o suficiente para impedir que os telescópios fossem mantidos apontados de forma estável para os alvos astronômicos.
O equipamento entrou em modo de segurança, e a equipe da missão, na Universidade Estadual da Pensilvânia, enviou o comando que encerrou as operações científicas.
Agora, a descida não pode ser controlada. Por isso, mesmo com uma previsão aproximada para o momento da reentrada, o local exato onde eventuais fragmentos alcançarão a superfície só poderá ser determinado quando o evento estiver muito próximo.
Os destroços do Telescópio Swift podem atingir o Brasil?
Sim. A possibilidade existe, mas o risco para a população é extremamente baixo. Segundo a Nasa, a estimativa é de aproximadamente uma chance em 2.100 de que alguém seja atingido por algum fragmento do observatório em qualquer lugar do planeta.
A maior parte do telescópio Swift deverá se desintegrar durante a reentrada. Ao atravessar a atmosfera em alta velocidade, o equipamento será submetido a um intenso aquecimento, que fará com que grande parte de sua estrutura seja destruída.
Algumas peças mais densas, no entanto, podem resistir. Entre os componentes que poderiam sobreviver estão partes metálicas, como elementos de titânio e peças relacionadas ao conjunto de espelhos. Mesmo esses fragmentos não têm um ponto de queda definido antecipadamente.
A órbita inclinada do Swift restringe a área de possível reentrada a uma faixa entre 20,6 graus ao norte e 20,6 graus ao sul do Equador. No Brasil, isso inclui boa parte das regiões Norte e Nordeste e áreas do Centro-Oeste e Sudeste, enquanto os estados mais ao sul ficam fora dessa faixa.
Ainda assim, a maior parte da área possível é formada por oceanos, o que reduz ainda mais a probabilidade de uma queda em uma região habitada.
Por que a Nasa não conseguiu salvar o observatório?
A queda do telescópio Swift poderia ter sido evitada. A Nasa tentou elevar sua órbita por meio de uma missão inédita de manutenção espacial realizada em parceria com a empresa Katalyst Space.
A startup desenvolveu a nave robótica LINK, lançada em julho com a missão de alcançar o Swift, capturá-lo e utilizar seus próprios propulsores para conduzir o observatório a uma órbita mais alta.
O projeto foi considerado de alto risco e alto retorno pela Nasa, mas problemas no controle de orientação da LINK impediram a captura. Em agosto, a agência e a empresa desistiram de tentar elevar a órbita do telescópio.
Depois do fracasso do resgate, o Swift retomou parte das observações científicas enquanto ainda era possível. A atividade, porém, aumentou o arrasto sobre a espaçonave e contribuiu para uma nova aceleração da perda de altitude. Em 20 de outubro, a missão foi definitivamente encerrada.
Lançado em 20 de novembro de 2004, o observatório havia sido projetado para uma missão principal de apenas dois anos. Acabou funcionando por mais de uma década além do planejado e se tornou um dos principais instrumentos para o estudo de explosões de raios gama, fenômenos entre os eventos mais energéticos do Universo.
Ao longo de sua trajetória, o telescópio Swift detectou mais de 2 mil explosões de raios gama e produziu observações que contribuíram para cerca de 7 mil artigos científicos. O observatório também estudou supernovas, buracos negros, galáxias ativas, cometas e asteroides.