EUA deslocam diplomatas no Oriente Médio em meio aos temores de escalada
Os EUA estão se apressando para transferir alguns diplomatas e seus familiares de postos no Oriente Médio, à medida que a ameaça de escalada regional se aproxima, segundo múltiplas fontes familiarizadas com o assunto.
Muitos dos que estão saindo haviam retornado recentemente aos seus postos após receberem ordens de retirada durante o auge da guerra com o Irã.
“Dizer que tem sido caótico é um eufemismo”, disse um diplomata americano, explicando que o apoio financeiro oferecido até o momento não cobre os custos da mudança de toda a família da região.
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Muitas dessas famílias se apressaram para deixar suas casas no Oriente Médio nas primeiras semanas da guerra e encontrar novas moradias e escolas para seus filhos. Agora, muitas estão tendo que fazer o mesmo novamente, com o que consideram um apoio financeiro potencialmente menor do Departamento de Estado.
“Isso ecoa o caos que as famílias vivenciaram no início deste ano. Algumas mal haviam se instalado quando foram instruídas a sair novamente”, disse Nikki Gamer, porta-voz da Associação Americana do Serviço Exterior, à CNN.
“Elas estão compreensivelmente chateadas, confusas e irritadas”, acrescentou.
Os ajustes ocorrem em um momento em que os Houthis, grupo armado apoiado pelo Irã, intensificaram seus ataques contra a Arábia Saudita – hostilidades que o Departamento de Estado alertou repetidamente que “têm o potencial de escalar rapidamente para além dessa área imediata”.
Eles também ocorrem em um momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, sugeriu que poderia relançar ataques contra o Irã após as eleições de Meio de Mandato (Midterms), e em que fontes afirmaram que Israel pressionou – sem sucesso até o momento – por uma ação mais imediata.
O Departamento de Estado ordenou esta semana a saída de funcionários não essenciais e de todos os seus familiares da Arábia Saudita. Autoridades disseram que a ordem de saída foi emitida em resposta à escalada das hostilidades por parte dos houthis.
Ao mesmo tempo, o Departamento de Estado tem ajustado discretamente seus limites de pessoal em diversas outras embaixadas no Oriente Médio, incluindo Jordânia, Bahrein, Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos e Líbano, segundo fontes da CNN.
Um funcionário do Departamento de Estado confirmou à CNN que o Líbano, os Emirados Árabes Unidos, o Catar e a Jordânia “terão mudanças temporárias nos níveis de pessoal sob o status de operações restritas”.
Ele afirmou que não há mudanças no quadro de funcionários no Kuwait ou no Bahrein, o que sugere que esses países não ultrapassaram seus limites de pessoal.
“Sob o status de operações restritas, os níveis de pessoal são constantemente avaliados e ajustados”, disse o funcionário.
Ao contrário da saída ordenada da Arábia Saudita, as movimentações nessas embaixadas não foram anunciadas publicamente. O Departamento de Estado enfatizou que essas embaixadas, diferentemente da Arábia Saudita, não mudaram de status e permanecem sob o status de “operações restritas”. Mesmo quando não há uma mudança formal de status, ainda pode haver alterações no quadro de funcionários dentro do status de “operações restritas”.
“Há uma sensação de ‘Dia da Marmota’”, disse uma fonte em Amã sobre alguns funcionários da embaixada que foram novamente solicitados a deixar a capital jordaniana.
Nem todas as embaixadas permitiram que as crianças retornassem aos postos, mas a maioria permitiu o retorno dos cônjuges. Agora, os familiares estão deixando as embaixadas para as quais só recentemente foram autorizados a retornar – mas, diferentemente do início do ano, fontes afirmam que os familiares não estão recebendo o mesmo apoio financeiro.
A comunicação e a coordenação em torno das partidas, da sede do Departamento de Estado em Foggy Bottom para os diplomatas em campo, estão “tão caóticas” quanto no início da guerra com o Irã, disse uma fonte familiarizada com as partidas.
Há preocupações entre os diplomatas sobre se o Departamento de Estado concederá diárias para suas famílias para a mudança para os EUA, disse a fonte, observando que algumas embaixadas não realizaram as reuniões de planejamento ou assembleias com a equipe que são típicas antes das partidas.
“Muitas pessoas estão sabendo disso pelas notícias, em vez de por meio de seus superiores”, acrescentou a fonte.
A AFSA (Associação Americana do Serviço Exterior), o sindicato que representa os diplomatas, disse estar recebendo relatos de “um jogo de pingue-pongue burocrático”.
“Famílias que mal haviam retornado aos seus postos e rematriculado seus filhos na escola estão sendo informadas de que devem se preparar para evacuar novamente, sem serem avisadas sobre o nível de apoio financeiro com o qual podem contar”, afirmou em um comunicado na quinta-feira (22).
Gamer, porta-voz da AFSA, disse à CNN que “famílias fora da Arábia Saudita relataram à AFSA que estão sendo orientadas a sair sem assistência habitacional ou diárias confirmadas”. Elas foram informadas de que isso ocorre porque suas embaixadas não estão mudando o status de “operações restritas”.
As famílias geralmente dependem desses auxílios para ajudá-las a encontrar moradia e cobrir os custos inesperados associados ao desenraizamento de seus lares no exterior, especialmente se o membro da família diplomata permanecer na embaixada como trabalhador essencial.
“As famílias merecem saber como podem se preparar para essa situação”, afirmou.