Vírus Shamonda: França registra 1ª infecção humana e morte pela doença
A França confirmou na quinta-feira, 22, o primeiro caso (e morte) de um ser humano relacionado ao vírus Shamonda, um patógeno que normalmente só costuma ser um problema para animais de criação. O registro se refere a uma pessoa imunossuprimida da região de Lyon que veio a óbito no começo deste mês.
Segundo as autoridades sanitárias francesas e a Organização Mundial da Saúde (OMS), não existe risco para a população geral neste momento. Veja o que já se sabe sobre o caso, até então inédito.
O que é o vírus Shamonda
O vírus Shamonda, ou SHAV, é um tipo de Orthobunyavirus, um gênero que inclui mais de uma centena de patógenos que podem ser transmitidos por insetos contaminados. No Brasil, o Orthobunyavirus mais preocupante para a saúde humana atualmente é o OROV, que causa a febre do oropouche.
Identificado originalmente na Nigéria nos anos 1960, o Shamonda costuma ter em animais de criação seus reservatórios naturais. Os mais afetados são rebanhos bovinos, embora caprinos, ovinos e equinos também possam adoecer.
Já o ciclo de transmissão ocorre por meio da mordida de insetos do gênero Culicoides, como os maruins ou mosquitos-pólvora que temos no Brasil: eles contraem o vírus ao picar um animal doente, e o retransmitem quando voltam a morder outro bicho saudável.
O SHAV já tinha circulação conhecida em rebanhos da África e do Japão, mas só passou a ser registrado na Europa em 2026. Ele é associado a problemas reprodutivos e a uma significativa redução na produção de leite, mas não é considerado fatal para os animais, nem existe uma vacina disponível contra a doença.
Até o caso na França, acreditava-se que o Shamonda não podia infectar seres humanos.
Como ele infectou um ser humano? Quais os riscos?
Ainda não há confirmação de como ocorreu a transmissão para uma pessoa. Segundo o Ministério da Agricultura francês, a hipótese mais forte é que o indivíduo tenha sido mordido por um Culicoides em uma propriedade rural da região leste da França, onde o vírus começou a ser identificado na última primavera do Hemisfério Norte, iniciada em março.
Apesar do caso ter resultado em uma morte, as autoridades sanitárias enfatizam que o episódio é “excepcional” e não se traduz em risco para a população geral. Segundo as informações oficiais, as complicações do SHAV no paciente francês estão associadas a condições muito particulares do caso em questão: tratava-se de um indivíduo com comprometimento imunológico severo que já enfrentava uma doença grave, o que reduziu ainda mais as defesas do corpo contra o vírus.