Ex-membro do Opus Dei relata abusos dentro da instituição em série da HBO

25 de Set de 2026 - 05:00
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Ex-membro do Opus Dei relata abusos dentro da instituição em série da HBO

A série documental “O Bom Espírito: Por Detrás das Portas do Opus Dei”, que chega ao streaming HBO Max nesta sexta-feira (25), relata histórias reais de pessoas que passaram pela instituição da Igreja Católica Opus Dei.

Por meio de depoimentos e dramatizações, a produção dá voz a 14 homens de diferentes origens que relatam os abusos espirituais, psicológicos e econômicos que sofreram enquanto faziam parte da estrutura.

A CNN Brasil conversou com Enrique Mackenzie, uma das pessoas que relataram suas vidas — que estão atravessadas pelas vivências no Opus Dei — na série documental.

Natural de El Salvador, ele estudou em uma das escolas da instituição desde os dois anos — e foi aos 12 anos que começou a participar das atividades de um dos centros de funcionamento do grupo. Lá eram conduzidas aulas de religião e também de esportes, como o futebol.

Dois anos depois, Mackenzie disse que os dirigentes disseram que viram em oração que ele tinha um chamado divino para pertencer de forma oficial à organização.

“Eu tinha 15 anos e acordava às 4h30 da manhã, rezava o Rosário, tinha várias leituras espirituais e uma missa cada dia na escola. Depois eu ia para o clube e fazia muita oração e mais leitura. Meu dia terminava às nove e meia da noite, e o diretor que aprovava esse horário. Tínhamos que contar tudo para eles. Foi uma vida muito regrada”, narrou.

Ele contou que, além das obrigações, tinha que passar por algumas provações físicas — como se autoflagelar e ficar com objetos pontiagudos amarrados ao corpo durante o dia. A maior punição, de acordo com ele, era a culpa moral caso uma das funções não fosse cumprida.

“Aos 14 anos, descobri que gostava de homens e eles enxergavam isso como uma doença mental. Eventualmente, quando viram que eu não me curava, me mandaram para um psiquiatra — membro da mesma organização — que me colocou numa terapia. A homossexualidade foi parte do diagnóstico e aí ele me dava remédios muito fortes. Mas, como essa não é uma doença real, não deu certo e eles me expulsaram da organização”, contou Enrique à CNN Brasil.

O salvadorenho explicou que ficou cerca de sete anos, após deixar o Opus Dei, fazendo terapia para se aceitar como um homem gay. E foi só viajando e conhecendo o mundo que descobriu que existia uma vida fora da organização.

“A primeira coisa foi entender que eu não estava doente, que ser gay não era um problema, era uma coisa normal e que eu merecia ter um relacionamento com outros homens, ter uma vida de uma pessoa jovem, ir a festas, bares… Até os 25 anos, quando consegui me aceitar, foi um processo muito longo e difícil. Foram mais de 20 anos de terapia para conseguir me livrar daquela culpa com que eu cresci”, disse.

De acordo com Enrique, a produção da HBO o contou que, apesar de terem participado do Opus Dei em diferentes locais do mundo, outros homens gays sofreram violências semelhantes às dele.

“Foi uma experiência muito liberadora. Eu já tenho 40 anos e sempre carreguei essa história lá dentro. Acho que, quando eu conto para as outras pessoas, mesmo que elas tenham empatia, nunca vão conseguir compreender como era aquele mundo; é completamente diferente. Essa série conseguiu criar uma imagem de como eu vivia aquelas coisas. De algum jeito, é como dar voz a uma coisa que para mim sempre foi muito difícil de explicar”, refletiu.

Assista ao trailer:

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