Houthis atacam sede da Saudi Aramco e ameaçam aeroporto de Riad

14 de Out de 2026 - 06:20
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Houthis atacam sede da Saudi Aramco e ameaçam aeroporto de Riad

A sede da Saudi Aramco, estatal petrolífera da Arábia Saudita, foi atingida por um ataque na noite de terça-feira (13), na cidade de Dhahran, no leste do país. Segundo o Ministério da Energia saudita, o incidente provocou um incêndio de pequenas proporções, sem registro de mortos ou feridos.

Uma fonte da empresa disse à Reuters que um míssil balístico atingiu o complexo da companhia. Segundo a fonte e outras duas pessoas familiarizadas com o caso, uma torre de escritórios foi atingida e os três andares superiores sofreram danos.

O complexo abriga um importante centro de operações da Aramco, responsável por uma extensa rede de plataformas de petróleo terrestres e marítimas, oleodutos, refinarias e terminais de exportação.

Os houthis, grupo rebelde do Iêmen alinhado ao Irã, afirmaram nesta quarta-feira (14) que também tinham como alvos instalações da Aramco em Dhahran, o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, e uma refinaria da companhia na capital saudita. O grupo declarou que continuará atacando aeroportos e instalações petrolíferas nos próximos dias.

Há uma semana, os houthis intensificam os ataques com mísseis balísticos e drones contra alvos estratégicos sauditas, em retaliação ao apoio de Riad às forças governamentais iemenitas na retomada da guerra civil no país.

O aeroporto internacional de Riad foi alvo de quatro ataques, incluindo um no sábado (10) que matou 13 pessoas. Segundo a Reuters, foi o ataque com mísseis mais letal em território saudita em uma década. Os bombardeios também provocaram a suspensão de voos em diferentes regiões do país.

Interceptações e danos em áreas residenciais

A coalizão liderada pela Arábia Saudita afirmou que fragmentos de um míssil interceptado e destruído em Dhahran caíram em uma área residencial. As autoridades não divulgaram mais detalhes sobre o episódio.

Na capital, Riad, e na região sul do país, autoridades também relataram a interceptação e destruição de drones e mísseis.

Quatro pessoas ficaram feridas em Riad depois que destroços de dois mísseis houthis caíram após a interceptação, segundo a Defesa Civil saudita. Os fragmentos provocaram danos limitados em 15 residências. Entre os feridos estão duas mulheres, um homem e uma criança.

Os houthis haviam ameaçado uma resposta “dura e dolorosa” aos ataques sauditas contra Sanaa, capital do Iêmen. O porta-voz do grupo, Yahya Saree, afirmou que possíveis alvos incluiriam a sede da Aramco em Dhahran e uma refinaria de petróleo em Riad.

O grupo também alertou trabalhadores do setor petrolífero saudita para que se afastassem de instalações que poderiam ser atacadas.

Na terça-feira, os houthis acusaram a Arábia Saudita de bombardear Sanaa. A coalizão liderada por Riad, por sua vez, pediu que civis se afastassem de um depósito de combustíveis nos arredores da capital iemenita.

A emissora Al-Masirah, controlada pelos houthis, informou que a coalizão atacou a estação central Sabah, da Companhia Petrolífera do Iêmen, usada como depósito de combustíveis. A coalizão confirmou o ataque e afirmou que a operação tinha como objetivo neutralizar a capacidade dos houthis de ameaçar a Arábia Saudita, o Iêmen e as rotas marítimas internacionais.

Na terça-feira, antes do ataque à Aramco, o gabinete saudita, presidido pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, havia advertido que os houthis enfrentariam consequências por suas repetidas ofensivas contra o reino.

Guerra no Iêmen se intensifica

A Arábia Saudita retomou sua campanha militar no Iêmen em apoio ao governo reconhecido internacionalmente, com o objetivo de reverter os avanços dos houthis no mês passado. Na ocasião, os rebeldes avançaram pela costa do Mar Vermelho até o estratégico estreito de Bab el-Mandeb.

A passagem marítima, que conecta o sul do Mar Vermelho ao golfo de Áden, tornou-se ainda mais importante para o transporte de energia da Arábia Saudita e de outros países desde o início da guerra envolvendo o Irã, em fevereiro. Na ocasião, Teerã fechou o estreito de Ormuz, que liga o Golfo ao oceano Índico.

Uma ofensiva governamental iniciada há uma semana afastou os houthis da área mais próxima de Bab el-Mandeb. O grupo, no entanto, mantém posições nas proximidades e avançou em regiões ao redor da cidade de Taiz neste mês.

A Arábia Saudita busca ampliar o apoio de aliados à campanha contra os houthis e obter ajuda para se defender dos ataques com mísseis e drones. Os Estados Unidos, principal aliado de Riad e garantidor histórico de sua segurança, até agora rejeitaram os esforços sauditas para envolvê-los diretamente na guerra contra os rebeldes.

O conflito no Iêmen voltou a se intensificar como desdobramento da guerra mais ampla entre Estados Unidos e Irã, iniciada em 28 de fevereiro com ataques americanos e israelenses contra a República Islâmica.

O Irã, rival regional histórico da Arábia Saudita, ofereceu-se para mediar as negociações entre Riad e os houthis, segundo declarações feitas no domingo pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, reiteradas pela pasta na segunda-feira.

O que é o Estreito de Bab el-Mandeb, alvo de bloqueio dos Houthis