Lei nos EUA proíbe impressoras 3D de imprimir arquivos de armas de fogo
A Califórnia sancionou a AB 2047, lei que obriga fabricantes de impressoras 3D a embutir uma tecnologia capaz de reconhecer e barrar arquivos de armas de fogo. O governador Gavin Newsom assinou o texto em 26 de setembro, e o estado se torna o segundo dos Estados Unidos a adotar a regra, depois de Nova York.
Só que a exigência não vale de imediato, porque depende de um padrão da indústria que ainda não existe. Se ele não aparecer até 2029, a proibição pode nunca entrar em vigor como deveria.
O que a lei da Califórnia para impressoras 3D determina
O texto proíbe vender, oferecer ou transferir no estado uma impressora 3D sem a “tecnologia de bloqueio de armas de fogo”, definida como um sistema que identifica e impede a impressão de armas e de dispositivos de conversão em arma automática. Mexer ou desligar esse bloqueio vira crime.
A regra alcança só aparelhos vendidos depois da regulamentação. Quem já tem impressora não precisa adaptar nada, e a lei não restringe posse nem uso, o que responde à principal queixa da comunidade de impressão 3D.
Confira o cronograma:
Etapa Prazo Sanção da AB 2047 26 de setembro de 2026 Departamento de Justiça da Califórnia começa a checar se a ASTM publicou um padrão Até 1º de julho de 2027, a cada trimestre Fim das checagens, se não houver padrão 1º de julho de 2029 Publicação das regras estaduais, se o padrão existir Até 24 meses depois da confirmação Venda de impressoras sem bloqueio vira ilegal Um ano depois das regras estaduais
Por que tudo depende da ASTM?
Em vez de definir sozinho como o bloqueio funciona, o estado jogou a decisão para a ASTM International, entidade sem fins lucrativos que escreve normas técnicas voluntárias para vários setores. O Departamento de Justiça só age se a ASTM publicar ou adotar um padrão de bloqueio para impressoras 3D.

Hoje há dois caminhos para detectar um arquivo de arma. Um compara o modelo com um banco de dados de peças conhecidas, e o outro usa um modelo treinado para adivinhar se o desenho pode virar arma.
O primeiro cai se o usuário mudar a escala ou dividir a peça; o segundo gera falsos positivos em canos, suportes, alavancas e tubos comuns.
“Não há mundo em que a tecnologia exigida funcione como pretendido.” Electronic Frontier Foundation, em junho de 2026, sobre o projeto
Foi justamente por essa crítica que os deputados amarraram a exigência a um padrão externo. A lei também abre exceção para impressoras usadas só em adereços da indústria do entretenimento e deixa o departamento criar outras.

O que muda para quem usa impressora 3D?
Para o usuário comum, nada muda por enquanto, dentro ou fora da Califórnia. Impressoras à venda hoje, como as da Bambu Lab e da Creality, não precisam de nenhuma atualização, e os arquivos de uso legítimo continuam liberados.
No cenário em que a ASTM publique o padrão em 2027, a conta leva a uma proibição de venda por volta de 2030, e só para modelos novos.
Colorado e Washington discutem projetos parecidos, o que pode empurrar os fabricantes a adotar o bloqueio em escala nacional para não manter duas linhas de produto.
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Nova York já tem regra e a Justiça federal foi na direção oposta
Nova York aprovou antes uma exigência semelhante, e a Califórnia é o segundo estado a entrar na lista. No plano federal, porém, um juiz derrubou a regra do ATF que tratava peças impressas em 3D como armas fantasmas, segundo a Tom’s Hardware, o que deixa a regulação concentrada nos estados.
O calendário real da AB 2047 começa com a primeira checagem do departamento, até julho de 2027. Até lá, as impressoras seguem vendendo sem filtro.
Fonte(s): Assembleia da Califórnia e Tom’s Hardware