Dá para trocar caneta emagrecedora por comprimido? Novo estudo sugere que sim

1 de Out de 2026 - 16:30
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Dá para trocar caneta emagrecedora por comprimido? Novo estudo sugere que sim

O que funciona de forma mais efetiva entre os novos medicamentos antiobesidade: uma caneta de aplicação subcutânea ou um comprimido oral?

As canetas emagrecedoras, nome popular das moléculas análogas de GLP-1 ou GIP, semaglutida e tirzepatida, são peptídicas, ou seja, fragmentos de proteína. Por isso, usá-las de maneira oral era mais difícil, já que é preciso vencer o trato digestório, especialista em degradar proteínas.

Só que a farmacêutica Novo Nordisk, criadora da semaglutida, conseguiu driblar esse problema: tanto o Rybelsus (com apresentações nas doses de 3, 7 e 14mg de semaglutida oral, indicado para tratar diabetes tipo 2) quanto o WeGovy oral (25mg de semaglutida, indicado para tratar obesidade) usam uma tecnologia chamada SNAC, que protege a molécula peptídica de ser quebrada pelo organismo.

“Ele permite um aumento da absorção da semaglutida quando administrada por via oral, impedindo que seja totalmente degradada”, explicou à VEJA SAÚDE a endocrinologista Marília Fonseca, diretora médica da Novo Nordisk no Brasil, em setembro de 2025.

Mas uma pergunta importante permanecia: o que acontece quando alguém que já usa uma das canetas troca a injeção pelo comprimido?

Pois uma nova pesquisa apresentada no Congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD 2026) responde exatamente isso. E ela provou, no contexto de vida real, que é possível seguir perdendo peso substituindo medicamentos análogos de GLP-1 no formato de canetas por pílulas.

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Mas, claro, não na mesma velocidade nem magnitude.

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O que diz o estudo

Chamado de OCTANE, ele avaliou dados anonimizados de 194 norte-americanos, coletados por meio da plataforma de telessaúde Ro.

O peso inicial das pessoas do grupo era aproximadamente 100,5 kg (IMC médio de 34,5), elas tinham por volta de 45 anos e todas estavam em tratamento com canetas emagrecedoras antes de trocar para os comprimidos de Wegovy.

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Após 3 meses da substituição, houve uma perda média de 4,1% do peso, aproximadamente 4 quilos. Além disso, 40,7% dos participantes perderam pelo menos 5% do peso, e a quantidade de indivíduos com índice de massa corpórea (IMC) acima de 30 (obesidade grau 1) caiu de 87,1% para 65,5%.

A pesquisa também destacou o grau de satisfação dos pacientes: 75% ficaram satisfeitos com a troca, e 86,7% tiveram alta adesão, mantendo o uso diário.

Os resultados são promissores, mas precisam ser lidos com ressalvas: o acompanhamento foi curto e o peso autorreferido; as avaliações de satisfação foram respondidas por apenas parte da amostra e a adesão diária informada se referia apenas à semana anterior ao questionário, não ao período inteiro.

A própria Novo apontou essas limitações no estudo. Mesmo assim, é uma evidência exploratória de vida real relevante sobre troca de apresentação do tratamento.

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Comprimidos são melhores que canetas?

Não. Por esse estudo, não é possível afirmar que o comprimido seja equivalente ou superior aos injetáveis, já que não havia um grupo que continuasse usando semaglutida ou tirzepatida em canetas para comparação.

Sem esse contraponto, não sabemos se essas mesmas pessoas teriam emagrecido mais, menos ou de forma semelhante caso permanecessem com as injeções.

Mas isso também não é algo tão relevante: muito se fala em personalização no tratamento da obesidade, e nem todos os pacientes precisarão perder mais de 20% do peso. Ter boas opções orais, que geram resultados e podem favorecer os que preferem comprimidos, já é um grande avanço.

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Quando o Wegovy oral chega ao Brasil

O comprimido de Wegovy está atualmente disponível nos Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Alemanha.

No Brasil, o pedido de aprovação foi feito para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em janeiro deste ano. A expectativa é de que a liberação chegue ainda em 2026.

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