Livro discute como traumas de infância podem afetar o corpo até em escala celular
O interesse da médica americana Aimie Apigian sobre traumas decolou depois de ela ter adotado seu filho, Miguel, e se chocar com as marcas psíquicas que a criança já carregava e repercutiam dentro de casa.
Ela decidiu mergulhar nos traumas no nível mais profundo possível: o do seu impacto em nossas células.
E assim desvendou que, inúmeras vezes, as feridas emocionais são apenas a superfície do problema.
Ele pode alimentar alterações e transformações fisiológicas microscópicas que atingem diversos sistemas do corpo — do nervoso ao digestivo — e subsidiam uma porção de doenças.
Mesclando experimentos científicos com casos de pacientes, Apigian traça em A Biologia do Trauma (Editora Sextante) o que se sabe sobre os reflexos mais íntimos e nocivos das experiências dolorosas na infância — e propõe caminhos para minimizá-los pelo bem da saúde e de toda a família.
Repercussões inesperadas
Autora alerta que alguns problemas de saúde são mais comuns quando há histórico de traumas
Infecções
Falamos daquelas oportunistas, que contam com brechas do sistema imune, como o vírus do herpes.
Autoimunidade
Havendo predisposição genética, distúrbios autoimunes podem ser desencadeados ou ficar descontrolados.
Doenças cerebrais
Experiências adversas estão ligadas a mais inflamação no cérebro, favorecendo depressão e declínio cognitivo.
Males digestivos
Refluxo, intestino irritável e alterações na microbiota são mais prevalentes entre pessoas traumatizadas.