Moraes vota em colégio de São Paulo sob crise no STF por relação com Vorcaro
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou na tarde deste domingo (4) em um colégio no bairro Jardim Paulistano, na Zona Oeste de São Paulo, sem falar com a imprensa. A cidade é domicílio eleitoral do magistrado, embora resida em Brasília.
Moraes é o pivô da maior crise já vivida pela Corte em sua história após mensagens revelarem supostos diálogos com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. No mês passado, o ministro André Mendonça, relator dos processos do caso no tribunal, pediu a abertura de uma investigação do colega.
O ministro precisou esperar na fila com outros eleitores e ainda conversou com os mesários da seção de votação. Moraes fez questão de mostrar que deixou o telefone celular com os mesários antes de entrar na cabine de votação.
Mensagens interceptadas pela Polícia Federal indicam que Moraes manteve diálogos informais com o banqueiro Daniel Vorcaro no dia da prisão do empresário, em novembro de 2025. As investigações sugerem que o banqueiro tentava obter informações privilegiadas ou ajuda para evitar sua prisão, ocorrida durante a operação Compliance Zero, por suspeitas de fraudes bilionárias.
Segundo os investigadores, Moraes utilizava um recurso de visualização única, que apaga o texto logo após a leitura, o que dificultou a recuperação total do conteúdo. Já as mensagens de Vorcaro foram preservadas.
Em uma delas, o banqueiro pergunta se havia novidade ou algo a 'bloquear'. Moraes negou os contatos, classificando as informações como mentiras destinadas a atacar o Supremo Tribunal Federal.
Outra frente de investigação descobriu que a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, firmou um contrato de R$ 129 milhões para defender os interesses do Banco Master. A jurista afirmou que o escritório foi contratado para prestar serviços de compliance (regras para garantir a ética e legalidade da empresa).