Morre juiz que presidia processo criminal contra Maduro nos EUA

28 de Out de 2026 - 15:10
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Morre juiz que presidia processo criminal contra Maduro nos EUA

O juiz federal americano Alvin K. Hellerstein, que preside o processo contra o deposto ditador venezuelano Nicolás Maduro, morreu nesta quarta-feira (28), aos 92 anos, segundo informou um porta-voz do sistema judiciário à imprensa local.

Hellerstein era um veterano juiz do Distrito Sul de Nova York, nomeado para o cargo pelo presidente democrata Bill Clinton em 1998. Ele presidiu processos de grande repercussão, incluindo litígios relacionados aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

O processo movido pelo governo dos Estados Unidos contra Maduro por narcoterrorismo, assim como outros casos sob responsabilidade de Hellerstein, "serão distribuídos aleatoriamente a outro juiz federal", afirmou o porta-voz do Judiciário, Ed Friedland, ao Politico.

Nascido em Nova York em 28 de dezembro de 1933, Hellerstein estudou na Universidade Columbia, serviu no Corpo de Advogados do Exército dos EUA entre 1957 e 1960 e trabalhou por quase quatro décadas no escritório de advocacia Stroock & Stroock & Lavan LLP, especializado em disputas comerciais.

Clinton o nomeou juiz distrital em 1998. Desde 2011, Hellerstein exercia a função de juiz sênior, condição que lhe permitia continuar atuando em casos selecionados, com uma carga de trabalho reduzida.

Hellerstein ficou responsável por grandes processos de indenização relacionados aos atentados de 11 de Setembro, ações contra altos executivos do setor financeiro e outros casos envolvendo ex-funcionários venezuelanos, entre eles Hugo "El Pollo" Carvajal.

Ele estava à frente do processo contra Maduro desde março de 2020, quando os Estados Unidos apresentaram a acusação original. Isso lhe permitiu familiarizar-se com o conjunto de provas e os argumentos da promotoria.

Após a captura do ditador venezuelano e sua transferência para os Estados Unidos, em janeiro de 2026, Hellerstein presidiu a primeira audiência de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em um tribunal federal de Manhattan. Na ocasião, ambos se declararam inocentes.

Posteriormente, uma acusação ampliada incluiu Flores pela primeira vez e manteve as acusações contra Maduro por conspiração para cometer narcoterrorismo, importação de cocaína e crimes relacionados a armas.

Antes de morrer, Hellerstein ainda precisava decidir sobre várias questões pendentes no processo, entre elas a alegação de imunidade apresentada pela defesa de Maduro, sob o argumento de que ele seria chefe de Estado estrangeiro.

A próxima audiência estava marcada para 17 de novembro.