Morre macaco-prego que invadiu casas na BA; tutor suspeita de envenenamento
O macaco-prego-preto Alcebíades morreu na segunda-feira (5) após ser capturado pela Companhia de Polícia de Proteção Ambiental em um condomínio residencial de Salvador, na Bahia. O animal foi levado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), onde recebeu atendimento veterinário, mas não resistiu. O tutor, o ex-deputado estadual Marcell Moraes, cobra uma perícia independente para esclarecer as circunstâncias da morte.
Em nota, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), responsável pela gestão do Cetas de Salvador, informou que o macaco deu entrada na unidade em estado debilitado, desacordado e com resposta reduzida a estímulos. O óbito foi registrado às 18h42 do dia 5 de outubro. Segundo o boletim citado pelo instituto, o animal estava em uma área urbana e apresentou comportamento agressivo durante as tentativas de contenção, mordendo três pessoas.
Ainda conforme o relato da equipe responsável pela ocorrência, o macaco entrou em uma residência, colidiu contra um box de vidro e foi localizado posteriormente sobre o telhado, abaixo de placas solares, onde foi capturado.
O Inema informou que havia relatos de que o animal poderia ter tido acesso a bebidas alcoólicas e medicamentos encontrados no imóvel. O instituto, no entanto, ressaltou que não foi possível determinar se houve ingestão, quais substâncias estariam envolvidas ou a quantidade a que o macaco poderia ter sido exposto.
Na avaliação clínica realizada após a chegada ao Cetas, o macaco apresentava lesões traumáticas na face e na língua, temperatura corporal de 42 °C e frequência cardíaca superior a 170 batimentos por minuto. A equipe veterinária também observou salivação intensa, vocalizações e movimentos involuntários dos membros.
Diante do histórico da ocorrência e dos sinais clínicos, a equipe considerou a possibilidade de exposição a um agente tóxico. O Inema destacou, porém, que os sintomas são inespecíficos e não permitem confirmar uma intoxicação nem determinar a causa da morte.
O animal recebeu atendimento veterinário, com monitoramento clínico e medidas para controle da temperatura corporal e estabilização. Apesar dos procedimentos, morreu no mesmo dia.
Para esclarecer o caso, o instituto informou que o macaco será submetido a exame necroscópico. O procedimento deverá avaliar possíveis lesões traumáticas e outras alterações que possam ajudar a determinar a causa do óbito. Exames complementares também poderão ser realizados para investigar eventual exposição a substâncias tóxicas, caso haja indicação técnica.
Tutor cobra investigação
Em publicação nas redes sociais, Marcell Moraes afirmou que o animal estava saudável antes de ser levado pela polícia e cobrou esclarecimentos sobre todas as etapas do caso, desde o contato com os vizinhos até o período em que o macaco permaneceu sob os cuidados do Cetas e do Inema.
O ex-deputado também mencionou a suspeita de envenenamento e afirmou que pretende buscar responsabilização judicial dos envolvidos, caso as investigações apontem responsabilidades. A hipótese, entretanto, ainda não foi confirmada pelos exames.
O Inema informou que também vai apurar as circunstâncias relacionadas aos cuidados com o animal silvestre e verificar se houve eventual negligência por parte do tutor. O instituto afirmou que avaliará a adoção de medidas administrativas cabíveis.
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*Sob supervisão de Manuella Dal Mas