Orquestra Sinfônica da Amazônia leva lendas amazônicas, carimbó e toadas para concerto gratuito no Teatro ICBEU

3 de Out de 2026 - 14:30
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Orquestra Sinfônica da Amazônia leva lendas amazônicas, carimbó e toadas para concerto gratuito no Teatro ICBEU

A apresentação busca aproximar a música de concerto das sonoridades e manifestações culturais da Amazônia. Divulgação/Icbeu A Orquestra Sinfônica da Amazônia (OSA) realiza, neste sábado (3), às 20h, no Teatro ICBEU, o segundo concerto da Série Amazônia. Com entrada gratuita, a apresentação dá continuidade à proposta de aproximar o repertório universal da música de concerto das sonoridades, histórias e manifestações culturais da região amazônica. Sob regência do maestro Rubens Cláudio, o programa reúne a “Suíte Holberg, Op. 40”, de Edvard Grieg, e duas obras inéditas de compositores paraenses: o poema sinfônico “Paxiúba”, de João Marcos Palheta, e a “Suíte Cartografias Amazônicas”, de Cibelle Donza. O concerto terá ainda a participação do solista Arley Raiol. Depois de abrir a série com uma formação sinfônica completa, a OSA aposta, desta vez, em uma configuração mais intimista. As cordas assumem o protagonismo, acompanhadas por instrumentos incorporados às necessidades das obras, como percussão e flauta. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Agora no g1 Para Rubens Cláudio, a redução do número de músicos não diminui a complexidade do repertório. Pelo contrário, exige dos intérpretes outras formas de explorar as possibilidades sonoras. “Quando tenho uma orquestra menor ou uma orquestra de cordas, a minha 'caixa de lápis de cor' é menor também. Então, para pintar o quadro, preciso misturar algumas coisas e buscar esses elementos por meio dos instrumentos que tenho”, compara o maestro. Da tradição europeia às histórias amazônicas A ponte entre diferentes universos musicais começa com Edvard Grieg. Escrita pelo compositor norueguês em homenagem ao dramaturgo Ludvig Holberg, a “Suíte Holberg” revisita formas e danças antigas, especialmente aquelas associadas ao período barroco. A escolha mantém uma característica da Série Amazônia: colocar obras consagradas do repertório internacional em diálogo com produções inspiradas na cultura e no imaginário amazônico. Esse encontro ganha força com duas estreias mundiais. Em “Paxiúba”, João Marcos Palheta mergulha em uma narrativa indígena ligada à floresta e à música. A composição parte da história de um indígena reconhecido pela beleza de sua voz e de seu canto, em uma narrativa que envolve sua transformação em uma palmeira da qual são produzidas flautas. A flauta ganha, assim, papel central na construção musical da obra, funcionando como elemento narrativo e ajudando a conduzir o público pelo universo criado pelo compositor. O diretor executivo da OSA, Nikolay Sapoundjiev, destaca que a composição transforma a lenda em uma experiência musical. “Ela conta poeticamente a história de uma palmeira cujas raízes estão expostas, dando a impressão de que ela caminha pela floresta. Dessas raízes é feita uma flauta. É uma lenda muito bela, que o João Marcos traduziu em música”, explica. A segunda estreia da noite será a “Suíte Cartografias Amazônicas”, de Cibelle Donza. Compositora e maestrina paraense, ela construiu a obra a partir de ritmos, danças e experiências culturais que fizeram parte de sua formação na região. Dividida em quatro movimentos, a suíte percorre referências amazônicas e incorpora elementos como baque acreano, parixara, carimbó e toada amazonense, transportando para a linguagem da música de concerto manifestações presentes na memória cultural da região. Segundo Rubens Cláudio, a proximidade da compositora com essas referências pode ser percebida na própria escrita musical. “Ela trouxe as danças da região, a vivência dela, de fato. Tudo isso compõe as experiências que fazem parte do nosso cotidiano. Ela cresceu ouvindo carimbó, ouvindo boi. São quatro movimentos lindos”, afirma. Para o maestro, interpretar uma composição pela primeira vez envolve também a responsabilidade de encontrar uma maneira de apresentar aquela narrativa ao público. “O maior desafio é contar essa história, criando um universo para que o público a compreenda. Trata-se de encontrar o elemento mágico para que ela possa ser entendida e amada da mesma forma como eu a amo”, destaca. Orquestra Sinfônica da Amazônia. Divulgação/Icbeu Série abre espaço para novos compositores Além de aproximar o público da produção musical inspirada na Amazônia, a série pretende criar espaço para uma nova geração de compositores brasileiros. Para Nikolay Sapoundjiev, apresentar os trabalhos de Cibelle Donza e João Marcos Palheta ao público amazonense também representa uma oportunidade de revelar novos talentos. Sapoundjiev adianta ainda que os próximos programas terão obras de jovens compositores do Amazonas, ampliando a presença da produção regional ao longo da temporada. Após a recepção do concerto de abertura, a expectativa da OSA é continuar conduzindo o público por diferentes caminhos da música amazônica. "Convidamos o público amazonense a continuar esta viagem conosco pela música e pelos mistérios do folclore da nossa Amazônia", afirma Sapoundjiev. Orquestra Residente do ICBEU A Orquestra Sinfônica da Amazônia (OSA) recebe o apoio cultural do ICBEU desde sua fundação, em 2024. A OSA é orquestra residente do Instituto Cultural Brasil–Estados Unidos (ICBEU), parceria que contribui para o fortalecimento e a difusão da música de concerto no Amazonas.