Pelo menos 400 pessoas foram presas em protestos na França, diz ministro
Pelo menos 400 pessoas foram presas nos protestos realizados na França, informou o ministro do Interior, Laurent Nuñez, acrescentando que as manifestações deste sábado (17) reuniram cerca de 550 mil pessoas.
Nuñez afirmou que muitas das prisões foram realizadas em flagrante e que a polícia vai trabalhar junto ao Judiciário para responsabilizar criminalmente as pessoas nos próximos dias.
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que “não há espaço para violência em nossa república”.
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Em publicação na rede social X, Macron afirmou que as pessoas que atacaram ou danificaram prefeituras e estabelecimentos comerciais serão “processadas e punidas”.
O presidente francês também disse que o país deve permanecer unido “contra os semeadores do caos, que buscam apenas derrubar instituições” e “impedem que aqueles que expressam pacificamente suas reivindicações possam fazê-lo”.
Mais cedo, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, disse que “ninguém vai impor agenda política por meio da violência”.
“Manifestações pacíficas têm seu lugar legítimo em nossa República. Incêndios criminosos, saques e ataques, não”, escreveu ele em uma publicação no X, acusando “grupos de extrema-esquerda” de orquestrar a “violência em várias cidades francesas”.
“Em um momento em que alguns tentam desacreditar nossas forças de segurança, quero dizer ao povo francês que ele pode se orgulhar de seus policiais e gendarmes. Eles enfrentaram violência de extrema intensidade para proteger nossos concidadãos e merecem nosso total apoio”, continuou.
Onda de protestos
Milhares de pessoas foram às ruas em Paris neste sábado, enquanto dezenas de milhares de cidadãos — indignados com o aumento dos custos de vida e a deterioração dos serviços públicos, realizavam manifestações por todo o país.
Um grande contingente policial foi mobilizado no centro de Paris, especialmente nas proximidades de pontos turísticos como a Champs-Élysées e o Arco do Triunfo, locais que ficaram de fora dos trajetos de duas manifestações autorizadas.
Manifestantes vestindo coletes de alta visibilidade bloquearam vias, remetendo ao movimento dos “Coletes Amarelos”, que marcou o mandato anterior do presidente Emmanuel Macron.
Os protestos na França começaram no mês passado em escolas de ensino médio nos subúrbios pobres ao norte de Paris, onde a indignação com a falta de professores e as instalações precárias evoluiu para um movimento mais amplo, focado na desigualdade, nos gastos públicos e no padrão de vida.
Macron, que na sexta-feira (17) pediu calma, entra na reta final de seu mandato, enfrentando um cenário político fragmentado e uma pressão crescente em relação à economia.
Os esforços da França para reduzir a dívida pública não foram suficientes para tranquilizar os investidores, elevando os custos de endividamento do governo aos patamares mais altos das últimas duas décadas.
O movimento dos “Coletes Amarelos” surgiu em 2018, inicialmente em oposição aos impostos sobre o diesel, antes de se expandir para um protesto mais abrangente contra o custo de vida e a desigualdade. O movimento perdeu força depois que Macron anunciou cortes de impostos que somaram bilhões de euros.
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