Polônia tenta reequilibrar poder de Tribunal Constitucional e entra em crise institucional
Por Luis Miguel Vieliczko Kawaguti
31/10/2026 às 10:58
- Dê de presente
A Polônia entrou em uma grave crise institucional quando o ministro da Justiça e a juíza Anna Korwin-Piotrowska tentaram suspender os poderes do presidente e do vice-presidente do Tribunal Constitucional, equivalente, na Polônia, ao Supremo Tribunal Federal do Brasil.
A crise coloca em lados opostos o primeiro-ministro Donald Tusk, que lidera o governo de coalizão no país, e o presidente Karol Nawrocki, do partido de direita Lei e Justiça (PiS).
O Parlamento liderado por Tusk havia indicado legalmente seis novos membros do Tribunal Constitucional em abril deste ano. O presidente Nawrocki barrou quatro desses nomes e foi apoiado pelo presidente do tribunal, Bogdan Święczkowski.
Na sexta-feira (30), após décadas de embates e impasses, o ministro da Justiça Waldemar Żurek pediu que o presidente do Tribunal Constitucional e seu vice, Bartłomiej Sochański, perdessem sua imunidade e fossem processados.
Uma das juízas do Tribunal Constitucional, Anna Korwin-Piotrowska, determinou a suspensão de ambos, enviou a polícia para a sede do tribunal em Varsóvia e assumiu o comando da Corte. A polícia foi acionada porque manifestantes apoiadores do PiS se dirigiram para a região.
O presidente do país, Nawrocki, do PiS, entrou no edifício para apoiar os magistrados destituídos e a situação neste sábado (31) é de impasse político.
O cenário de crise do Judiciário da Polônia é complexo. A Polônia é parlamentarista. A atual coalizão de Tusk governa o país desde 2023. O governo anterior durou oito anos e era de um primeiro-ministro do partido de direita PiS.
Nesse período, o Parlamento aprovou uma reforma profunda no Judiciário e na forma como os ministros do Tribunal Constitucional eram indicados e seu tempo de mandato. Eles deixaram de ser indicados por uma junta de magistrados e passassem a ser apontados pelo Parlamento.
O governo o PiS, na época, colocou na Corte juízes de sua confiança. Mas agora o Presidente da República e o presidente do Tribunal Constitucional passaram a não aceitar parte dos indicados pelo Parlamento, causando uma escalada da crise. Uma assembleia geral do Tribunal Constitucional foi marcada para o dia 3.
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