Por que Dario Durigan é o nome certo para a Fazenda
No momento em que o mercado cobra um sinal rápido e o governo fala em vozes diferentes, o argumento a favor de manter Dario Durigan na Fazenda é simples. Ele é o único dos cotados que pode agir já, sem curva de aprendizado e sem custo político para Lula.
O nome que tem aparecido como favorito em parte da imprensa, porém, é o do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT). Há razões para isso: tem força política, ganhou proximidade com Lula pelo trabalho na campanha do segundo turno e ajudou na preparação do presidente para os debates. Também encontra receptividade em setores do mercado, pela experiência como secretário da Fazenda do Piauí, entre 2015 e 2022, e pela reputação de compromisso com as contas públicas.
A coluna reconhece esses atributos, mas considera que Durigan reúne as melhores condições para dar a resposta imediata que o momento exige. Fonteles também poderia contribuir em outras pastas importantes. Já houve, inclusive, defesa de seu nome por um parlamentar de outro partido da base do governo para a Casa Civil, posto para o qual Camilo Santana aparece como favorito.
O primeiro trunfo é a continuidade. Durigan comanda a pasta desde março e foi secretário-executivo de Haddad desde 2023. Conhece o Orçamento por dentro, a relação com o Congresso e os números que o próximo governo terá de enfrentar. Enquanto qualquer outro nome precisaria de meses para montar equipe e diagnóstico, ele diz que o governo já tem medidas prontas, incluindo a que permite buscar o centro da meta fiscal.
. Durigan foi o primeiro a dar, depois da eleição, o sinal que o mercado esperava. Propôs mirar o centro da meta, mudando até a Constituição se necessário, e abriu diálogo com economistas de diferentes correntes, como Marcos Lisboa, para discutir saídas possíveis, inclusive temas sensíveis ao PT, como as reformas administrativa e da Previdência. É uma agenda de ajuste com nome e sobrenome, não uma promessa genérica.
O terceiro é a posição política. Durigan não é filiado ao PT, e fontes próximas ao presidente relatam que Lula entende que um nome do partido teria mais dificuldade para conter o mau humor dos investidores. Ao mesmo tempo, ele tem boa relação com Lula. E evita os problemas dos outros cotados. Fonteles teria de renunciar a um mandato recém-conquistado e aprender Brasília no cargo mais exposto da Esplanada. Alckmin, como vice, não pode ser demitido do mandato, o que tiraria de Lula o fusível de trocar o ministro sem crise. Durigan não carrega nenhum desses custos.