Por que Edir Macedo rejeita o lema “Deus, Pátria e Família”
Por
02/11/2026 às 13:53
- Dê de presente
O bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, explicou por que não concorda com o lema “Deus, Pátria e Família”, associado à família Bolsonaro e à direita conservadora. Para o líder religioso, a expressão estabelece uma ordem equivocada ao colocar a pátria antes da família. Na hierarquia que ele defende, Deus deve estar em primeiro lugar, seguido pela família e, somente depois, pelo Estado e pelas demais instituições.
“Eu não aprovo aquela teoria ‘Deus, pátria e família’”, afirmou Macedo durante um culto. Em seguida, justificou sua posição: “Primeiro Deus, segundo a família, e terceiro o Estado, ou o que mais que queira ser”. A declaração foi feita na manhã de 25 de outubro, domingo do segundo turno das eleições presidenciais, mas ganhou repercussão nas redes sociais somente neste fim de semana.
Ao explicar a posição, o bispo recorreu a personagens bíblicos, como Abraão e Isaac, para sustentar que a organização da sociedade deve começar pela relação com Deus e pela estrutura familiar. “Se não houver família, vai haver pátria?”, questionou aos fiéis. Para ele, a existência da nação depende da família, que tem origem em Deus.
A manifestação chama atenção pelo contraste com a associação histórica entre o lema e o campo conservador ligado à família Bolsonaro. A fala também ocorre em um contexto de distanciamento da Universal em relação à disputa presidencial de 2026, diferente do posicionamento adotado pela igreja em 2022, quando apoiou a candidatura à reeleição de Jair Bolsonaro (PL).
Universal se afastou da disputa presidencial
Durante a campanha deste ano, a Igreja Universal evitou assumir publicamente uma posição de apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou a Flávio Bolsonaro (PL). No primeiro turno, a instituição concentrou sua mobilização política na eleição de representantes ligados à igreja e à defesa de suas pautas no Legislativo.
A estratégia foi acompanhada por uma campanha espiritual. Bispos incentivaram fiéis a eleger candidatos identificados com os valores da instituição, com o objetivo de formar uma espécie de proteção parlamentar contra medidas consideradas ameaçadoras aos interesses da igreja. Entre os temas mencionados estavam o projeto de lei sobre misoginia e a tributação de templos religiosos.
Na Câmara dos Deputados, metade dos 12 parlamentares ligados à Universal que disputaram a reeleição, todos filiados ao Republicanos, não conseguiu permanecer no cargo. A perda de espaço também apareceu na disputa pelo Senado no Rio de Janeiro. O estado rompeu uma tradição de eleger um senador com identidade evangélica quando havia duas vagas em disputa. Benedita da Silva (PT) e Marcelo Crivella (Republicanos) foram derrotados por Carlos Jordy e Carlos Portinho, ambos do PL e associados à família Bolsonaro.