Por que o tomate está tão caro? Entenda a oscilação no preço da hortaliça-fruto
Por Ana Paula Pickler
Especial para a Gazeta do Povo
06/11/2026 às 16:54
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O do consumidor brasileiro em 2026, depois de uma sequência de altas que contrariou o comportamento normalmente observado ao longo do ano. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o produto acumulou alta de 58,70% entre janeiro e outubro, depois de subir 37,76% em setembro e outros 24,54% no IPCA-15 de outubro.
A valorização ocorre justamente em um período em que os preços do tomate costumam perder força com a entrada da safra de inverno e a melhora da oferta. Em 2026, porém, a combinação de condições climáticas desfavoráveis, menor área cultivada e atraso na maturação dos frutos alterou esse padrão.
O impacto varia de acordo com a região. No acumulado do ano até setembro, por exemplo, a alta chegou a 92,20% em Curitiba, segundo levantamento do IPCA. Em Belo Horizonte, o avanço alcançou 93,61%, enquanto Recife registrou a menor variação, de 10,39%.
Preço do tomate: clima reduz oferta e atrasa maturação
A explicação para a disparada começa no campo. Chuvas acima do esperado e períodos de temperaturas mais baixas prejudicaram o desenvolvimento das lavouras em importantes regiões produtoras. O excesso de umidade também dificultou o acesso às plantações e as operações de colheita.
De acordo com João Paulo Deleo, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), ouvido pela CNN Brasil, a cultura do tomate é naturalmente marcada pela volatilidade, porque depende da área cultivada, do calendário de plantio, da produtividade e das condições meteorológicas.
Em 2026, entretanto, esses fatores se combinaram de maneira particularmente desfavorável. Dias nublados e chuvosos reduziram a fotossíntese das plantas e contribuíram para frutos menores, enquanto temperaturas baixas retardaram a maturação.
Quando o volume colhido diminui, a oferta disponível no mercado cai rapidamente e os preços tendem a reagir.
Os dados da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) ajudam a dimensionar o movimento. Em setembro, o setor de legumes do entreposto registrou alta de 12,05%, e o tomate Carmem teve valorização de 58,88%.
A própria companhia relacionou o comportamento às oscilações climáticas na transição entre inverno e primavera.
Área menor também pesa nas cotações do tomate
Além do clima, há um problema estrutural: os produtores reduziram a área dedicada ao cultivo do tomate nas regiões acompanhadas pelo Cepea. A área plantada recuou 5,4% em 2026 e acumula redução de 16,3% em dois anos.
A retração é consequência, em parte, dos prejuízos registrados em safras anteriores. Com menos área cultivada, qualquer problema de produtividade tem potencial para provocar uma redução mais significativa da oferta e, consequentemente, .
No atacado paulista, os valores mostram a dimensão dessa pressão. O tomate Carmem alcançou preço médio de R$ 7,59 por quilo em outubro, alta de 30% em relação a setembro e de 134,3% na comparação com outubro de 2025. O Pizzadoro chegou a R$ 7,19 por quilo, enquanto o Débora atingiu R$ 6,02.
A oferta, por sua vez, ainda não se recuperou completamente. Segundo a Ceagesp, o volume comercializado em outubro aumentou em relação a setembro, mas permaneceu cerca de 33% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025.
Quando o preço do tomate deve baixar?
Apesar da pressão, o cenário não significa necessariamente que o tomate permanecerá caro durante todo o verão. A hortaliça-fruto tem ciclo relativamente curto, o que permite que uma recuperação da produção seja percebida no mercado em prazo menor do que ocorre com culturas de ciclo mais longo.
A Ceagesp avalia que a entrada de novas colheitas tende a favorecer a recomposição da oferta e uma eventual estabilização dos preços. A companhia ressalta, porém, que sazonalidade e condições climáticas continuam sendo determinantes para o comportamento do mercado.
O cenário também exige atenção para os próximos meses. A possibilidade de mudanças nos padrões de chuva e temperatura associadas ao El Niño pode manter a volatilidade na produção agrícola. No caso do tomate, qualquer alteração significativa no ritmo de maturação ou na produtividade pode rapidamente chegar às feiras, supermercados e sacolões.
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