Premiê britânico pede apoio a Trump contra ações de Milei nas Ilhas Malvinas

23 de Out de 2026 - 20:00
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Premiê britânico pede apoio a Trump contra ações de Milei nas Ilhas Malvinas

O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, pediu nesta sexta-feira (23) ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apoio à exploração de petróleo autorizada pelo país nas Ilhas Malvinas e criticou as medidas adotadas pelo governo de Javier Milei, da Argentina, para impedir a atividade no arquipélago. Os dois líderes conversaram por telefone, em meio à disputa entre Londres e Buenos Aires pela soberania das ilhas.

Segundo um comunicado divulgado pelo governo britânico, Burnham apresentou a Trump as consequências econômicas das ações argentinas contra o projeto petrolífero Sea Lion, desenvolvido por empresas britânicas e israelenses nas águas próximas às Malvinas.

"O primeiro-ministro levantou as consequências econômicas das medidas coercitivas da Argentina para o Reino Unido e os Estados Unidos e reiterou a importância de respeitar o direito dos habitantes das ilhas de desenvolver seus recursos naturais", informou o governo britânico.

O projeto Sea Lion prevê a exploração de petróleo ao norte das Malvinas, território controlado pelo Reino Unido, mas cuja soberania é reivindicada pela Argentina. A iniciativa é conduzida pela empresa israelense Navitas Petroleum e pela britânica Rockhopper Exploration, com previsão de início da produção entre 2027 e 2028.

Milei tenta impedir o avanço do projeto por considerar que a exploração dos recursos naturais da região, sem autorização argentina, representa uma violação da soberania de seu país.

Em setembro, o presidente argentino anunciou que adotaria sanções contra empresas envolvidas na extração de petróleo nas ilhas. Seu governo também iniciou um processo de arbitragem internacional na ONU contra o Reino Unido, com o objetivo de suspender as atividades.

No último dia 13, Buenos Aires apresentou um pedido de medidas provisórias ao Tribunal Internacional do Direito do Mar, sediado em Hamburgo, na Alemanha. A Argentina solicita que a Justiça internacional determine a paralisação das operações enquanto a disputa na ONU é analisada. O tribunal marcou audiências para os dias 10 e 11 de novembro.

O governo britânico rejeitou a iniciativa argentina e anunciou medidas para proteger empresas e cidadãos envolvidos em atividades econômicas nas Malvinas. Londres acusa Buenos Aires de tentar intimidar investidores e impedir negócios que considera legítimos.

"Este governo agirá quando a Argentina tentar impedir atividades comerciais legais do Reino Unido", afirmou o ministro britânico do Comércio, Jonathan Reynolds, ao anunciar as medidas de proteção.

A disputa entre Londres e Buenos Aires colocou Trump em uma posição delicada. O presidente americano mantém boas relações com Milei, um de seus principais aliados na América Latina, mas também tem que lidar com a aliança histórica entre os EUA e o Reino Unido.

Em agosto, Trump anunciou que estava revendo a tradicional posição de neutralidade dos Estados Unidos em relação à soberania das Malvinas. A declaração foi recebida pelo governo argentino como uma possível oportunidade de obter apoio americano para suas reivindicações.

Em setembro, Burnham já havia defendido pessoalmente diante de Trump que as ilhas permanecessem sob controle britânico. Na ocasião, o premiê afirmou que Londres não cederia a ameaças da Argentina e continuaria defendendo o direito dos moradores do arquipélago à autodeterminação.