Queda das ações da CoreWeave ascendem alerta sobre endividamento da IA
As ações e os títulos da CoreWeave, apoiada pela Nvidia, caíram novamente na quinta-feira (15), apesar das garantias do CEO sobre sua sólida carteira de contratos, expondo uma crescente crise de confiança na expansão da inteligência artificial, cada vez mais financiada com empréstimos.
A empresa de computação em nuvem com IA, que opera com prejuízo e acumula uma dívida de cerca de US$ 50 bilhões, tornou-se o exemplo perfeito das crescentes preocupações de que o boom dos data centers esteja sendo impulsionado pelo crédito, sobrecarregando os novos participantes e pressionando o fluxo de caixa até mesmo de gigantes como a Alphabet e a Meta Platforms.
A queda da CoreWeave, que desencadeou uma derrocada global nas ações de IA, reforça as dúvidas dos investidores sobre se a receita futura de IA conseguirá acompanhar os gastos que impulsionaram a rápida expansão do setor.
As ações caíram 6 % nas negociações pré-mercado, após uma queda de mais de 15% na quarta-feira (14), tornando-se uma das maiores quedas na onda de vendas de ações de tecnologia .
“O mercado está se dando conta de que a demanda por IA e um modelo de negócios lucrativo são duas coisas muito diferentes”, disse Axel Rudolph, analista técnico-chefe do IG Group.
Por enquanto, parece mais que os investidores estão questionando como a expansão está sendo financiada do que um colapso repentino no apetite por computação de IA.
Mas se o custo do capital continuar subindo, mesmo uma demanda forte pode não ser suficiente para proteger os participantes mais alavancados.
O rendimento dos títulos da CoreWeave emitidos em abril com vencimento em 2031 ultrapassou os 16%, acima do nível que normalmente sinaliza dificuldades, levando Elon Musk a expressar preocupação nas redes sociais.
O custo do seguro contra inadimplência da dívida subiu para cerca de 1.000 pontos-base, o que implica uma probabilidade de inadimplência de quase 63% em cinco anos, ante cerca de 30% há um ano.
Isso apesar de um acordo segundo o qual a Nvidia, principal investidora, comprará toda a capacidade não vendida da CoreWeave até 13 de abril de 2032.
A CoreWeave, que abriu seu capital em março de 2025, lidera um grupo de provedores de nuvem mais recentes, conhecidos como neoclouds, que alugam poder computacional de processadores Nvidia, escassos e caros, para atender à crescente demanda da indústria de tecnologia, muitas vezes recorrendo a empréstimos vultosos para comprar os chips. Segundo relatos da mídia, a empresa conta com a Microsoft e a OpenAI entre seus principais clientes.
Os críticos argumentam que isso deixa os neoclouds vulneráveis a qualquer queda na demanda por IA, enquanto os chips perdem valor com a chegada de novas gerações, forçando outra rodada de gastos pesados para substituí-los.
A CoreWeave, que em agosto elevou sua previsão de gastos de capital anuais em US$ 4 bilhões, para até US $ 39 bilhões, deverá registrar uma receita de quase US$ 13 bilhões este ano e um prejuízo de US$ 2,13 bilhões, de acordo com estimativas de analistas.
As preocupações com a expansão, na qual se espera que as gigantes da tecnologia dos EUA gastem mais de US$ 700 bilhões este ano, têm repercutido nos últimos dias nas ações que têm sido as maiores vencedoras do mercado desde o lançamento do ChatGPT em novembro de 2022.
O Índice de Semicondutores da Filadélfia, um indicador muito acompanhado das ações do setor de semicondutores, perdeu mais de US$ 1,6 trilhão em valor de mercado, com uma queda de 11,6% nas últimas seis sessões.
O Nasdaq, com forte presença de empresas de tecnologia, recuou mais de 3% no mesmo período.
Na quinta-feira, as ações de tecnologia caíram na Ásia, Europa e Estados Unidos, arrastando os mercados em geral para baixo devido aos temores de que as taxas de juros altas e crescentes possam trazer consequências negativas para o setor.
As concorrentes da CoreWeave no setor de neocloud, como Nebius, Applied Digital e Iren, registraram quedas entre 3,2% e 5%.
“Pools de capital limitados”
A venda massiva de ações da CoreWeave ocorreu depois que seu cofundador, Brannin McBee, declarou ao Financial Times que a empresa buscava uma classificação de grau de investimento que abriria as portas para capital “ilimitado”.
No mesmo dia, a empresa de pesquisa Gartner afirmou que cerca de 80% das neoclouds poderiam fechar até 2030 e que mais de US$ 3,5 trilhões em gastos com infraestrutura de IA poderiam ser afetados se os provedores de IA mantiverem seu ritmo atual de investimento.
“Em 2026, espera-se que os fornecedores de IA gastem quase US$ 1 trilhão em infraestrutura de IA e prevê-se que invistam mais US$ 6 trilhões entre 2027 e 2030”, disse Will Sommer, analista da Gartner.
“No entanto, nossa pesquisa indica que a receita proveniente de IA para empresas e consumidores será insuficiente para sustentar retornos lucrativos sobre todos os investimentos de capital em IA planejados durante esse período.”
Em um memorando interno divulgado na quarta-feira e obtido pela Reuters, o CEO da CoreWeave, Mike Intrator, rebateu as preocupações, afirmando aos funcionários que a carteira de contratos da empresa cobre amplamente suas obrigações de dívida e que os mercados às vezes podem “interpretar mal e agir irracionalmente”.