Roubo histórico na Binance expõe vulnerabilidade de criptoativos

3 de Nov de 2026 - 04:30
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Roubo histórico na Binance expõe vulnerabilidade de criptoativos

Por anos, o setor de criptomoedas tentou se desvincular de sua associação com crimes, ao mesmo tempo em que se promovia como uma alternativa segura aos bancos e investimentos tradicionais.

Mas, mais uma vez, um roubo de proporções recordes está aprofundando as preocupações sobre as vulnerabilidades do mercado cripto.

Na quinta-feira (29), a maior exchange de criptomoedas do mundo, a Binance, teve mais de US$ 6 bilhões drenados de seu sistema em cerca de 20 minutos.

Aproximadamente metade desses fundos estava vinculada a um tipo de criptomoeda conhecida como stablecoins, que foram rapidamente congeladas pelas empresas emissoras.

Os demais fundos estavam atrelados a tokens digitais como bitcoin e ether, que não possuem autoridades centralizadas de governança e provavelmente são impossíveis de recuperar, segundo pesquisadores do setor cripto.

As perdas da Binance podem ultrapassar US$ 3 bilhões, de acordo com pesquisadores. Embora isso represente uma pequena fração dos US$ 155 bilhões em ativos totais de usuários da exchange, o valor supera o fundo de emergência de US$ 1 bilhão que a Binance havia reservado para situações como esta.

A empresa se comprometeu a cobrir as perdas com essas reservas de emergência e outros ativos, enfatizando que “os fundos dos usuários estão seguros“.

A Binance suspendeu depósitos e saques na quinta-feira, poucas horas após uma violação de segurança menor ter prejudicado as operações da Polymarket, o mercado de previsões baseado em criptomoedas.

Este foi o segundo aparente ataque à Polymarket desde junho e provavelmente não teve relação com o incidente da Binance.

Cerca de 700 usuários da Polymarket perderam US$ 2,7 milhões em saques não autorizados, segundo a empresa de análise Bubblemaps. Assim como a Binance, a Polymarket prometeu ressarcir os clientes.

Mas especialistas em segurança alertam que cobrir as perdas dos clientes não é uma estratégia de longo prazo eficaz.

Por que o cripto é arriscado

“O fato de a Binance poder ter o balanço patrimonial para absorver os danos é encorajador, mas eu não confundiria solidez financeira com segurança operacional”, disse Ryan Kirkley, CEO da empresa de infraestrutura cripto Global Settlement Network, em um e-mail.

“Estamos falando da maior exchange de criptomoedas do mundo dependendo de congelamentos emergenciais e promessas de reembolso”, afirmou ele.

“Isso é um problema sério para um setor que pede às instituições que confiem a ele um capital substancialmente maior.”

É certo que qualquer empresa pode ser vulnerável a um ataque cibernético. Mas exchanges centralizadas como a Binance tornaram-se alvos de alto valor para hackers, em parte porque existem fora das rígidas regulamentações às quais bancos e outras instituições financeiras devem obedecer.

E as criptomoedas há muito são favorecidas por organizações criminosas porque permitem movimentar fundos de forma rápida e anônima através das fronteiras.

A Binance, fundada na China mas sem sede fixa, declarou-se culpada em 2023 por violar as regras federais norte-americanas de combate à lavagem de dinheiro, entre outras acusações — um caso que levou seu fundador canadense, Changpeng Zhao, à prisão por quatro meses.

Zhao foi perdoado pelo presidente Donald Trump no ano passado, mas permanece legalmente proibido de dirigir a Binance.

A inteligência artificial está turbinando os riscos de segurança em toda a internet.

No hack da Binance de quinta-feira, pesquisadores da Chainalysis disseram ter observado “padrões de lavagem que não havíamos visto antes” e que “milhares de transações em um curto período sugerem que os atacantes estão usando automação para obscurecer o rastro dos fundos”.

Como se proteger

E apesar do apoio caloroso da administração Trump, as criptomoedas continuam sendo um negócio arriscado, com poucas regulamentações em vigor.

Nos Estados Unidos, a grande maioria das pessoas que investe em criptomoedas o faz por meio de exchanges centralizadas que não contam com o tipo de seguro de depósito federal oferecido pelos bancos tradicionais.

“As exchanges centralizadas representam um risco porque são centralizadas, uma vez que esse sistema é hackeado, os fundos de todos podem ser comprometidos”, disse Iman Shafiei, fundador do Keystone Research Group, em um e-mail.

A proteção mais simples, segundo ele, é não deixar os fundos parados nas mesmas exchanges onde se compra e vende. “No momento em que você quiser guardar, mova suas criptomoedas para uma carteira de autocustódia.”

É claro que a autocustódia, na qual uma pessoa gerencia sua própria carteira digital, traz seus próprios potenciais problemas.

Se o titular de uma conta perder sua senha, não há uma central de atendimento ao cliente para ligar e esses fundos estão efetivamente perdidos.

Em 2021, a Chainalysis estimou que cerca de 20% de todo o bitcoin já criado pode estar perdido ou retido em carteiras às quais os titulares das contas não conseguem mais acessar.