Samsung pode abandonar TVs QLED para concentrar esforços em modelos OLED

3 de Nov de 2026 - 10:40
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Samsung pode abandonar TVs QLED para concentrar esforços em modelos OLED

A Samsung planeja encerrar a produção de TVs com pontos quânticos, as QLED e Neo QLED, depois de 2027. A linha inteira passa a três níveis, Ultra, Plus e Basic, sem o nome da tecnologia na caixa.

Segundo o jornal coreano ETNews, que ouviu fontes do setor, o OLED e o Micro RGB ficam no topo da nova pirâmide.

Essa virada já começou, porque a produção de TVs com QD, sigla dos pontos quânticos, caiu de cerca de 10 milhões de unidades em 2025 para algo entre 2 milhões e 3 milhões neste ano.

Neste ano a linha QLED de entrada foi descontinuada e deu lugar a uma Mini LED sem a camada de cor. Em 2027, a Neo QLED produz metade do volume atual.

Como fica a linha de TVs da Samsung em 2027

O modelo é o mesmo dos celulares Galaxy S, com um nome de família e um sufixo de nível. No Ultra entram o Micro RGB e o OLED, as duas tecnologias que a Samsung vende hoje como premium.

A linha QLED, que vendia de 7 a 8 milhões de TVs por ano, já foi substituída pela Mini LED sem pontos quânticos em 2026
A linha QLED, que vendia de 7 a 8 milhões de TVs por ano, já foi substituída pela Mini LED sem
pontos quânticos em 2026. Foto: Reprodução/Samsung via ETNews

No Plus ficam os intermediários, enquanto o Basic reúne a maior parte das Mini LED, acima apenas da linha Crystal UHD, que segue à parte.

Segundo a ETNews, a fabricante quer tirar da embalagem termos como Neo QLED, Mini LED e Micro RGB. Todos descrevem variações da retroiluminação de LCD que o consumidor não distingue na loja.

Também há a intenção de amarrar as TVs a assinaturas de serviços de inteligência artificial, para prender o cliente ao ecossistema.

“Para o consumidor, Mini LED, Micro LED e RGB são difíceis de distinguir.” Fonte do setor, ao jornal ETNews

O volume total não diminui, pois a Samsung projeta embarcar cerca de 35 milhões de TVs em 2026 e passar bem de 40 milhões em 2027. O que muda é o que vai dentro delas, com menos QD, mais Mini LED comum na base, e OLED e Micro RGB puxando o preço médio no alto.

Por que a Samsung desiste do QLED depois de dez anos

Em 2017 a Samsung criou a marca QLED para brigar com o OLED da LG, e o filme de pontos quânticos virou o argumento de cor da empresa por quase uma década. Isso acabou.

LED comum, Mini LED e Micro RGB: a diferença está no tamanho dos chips da retroiluminação, e não na camada de cor
LED comum, Mini LED e Micro RGB: a diferença está no tamanho dos chips da retroiluminação
, e não na camada de cor. Foto: Reprodução/Samsung via ETNews

A concorrência chinesa esvaziou o diferencial quando TCL e Hisense passaram a vender TVs “QLED” baratas, algumas com pouquíssimo material de QD, e a briga de preço deixou de valer a pena.

Nos tribunais a disputa já rende capítulos, pois a Hansol Chemical, fornecedora de QD da Samsung, denunciou a TCL ao órgão antitruste coreano em 2024 por “QD falso”. Um tribunal alemão considerou neste ano que a propaganda da TCL era enganosa.

Em resposta, a TCL processou a Samsung nos Estados Unidos, alegando que as Mini LED M80H e M70H não têm escurecimento local. A aposta da Samsung passa a ser o contraste, controlado pelos LEDs da retroiluminação, e não a cor, que era o ponto forte do QD.

O Micro RGB, que usa chips vermelhos, verdes e azuis menores que 100 micrômetros, resolve os dois ao mesmo tempo. Só que ele chega em TVs de 55 a 130 polegadas, a partir de R$ 6.849 no Brasil.

No Brasil a linha de 2026 já antecipa o desenho. A Micro RGB R85H estreou em setembro como topo da família LCD, a OLED S85H parte de R$ 5.249, e a Neo QLED QN70H, de R$ 4.749, virou a porta de entrada do premium. A Samsung Brasil não comentou.

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Neo QLED vira peça de liquidação até 2028

Quem gosta da combinação de Mini LED com pontos quânticos tem dois anos para comprar, porque a Neo QLED produz metade em 2027 e pode parar de ser fabricada a partir de 2028. Isso costuma significar estoque em promoção e suporte garantido, já que a Samsung mantém atualizações do Tizen por sete anos.

Só que a TV de 2027 chega com outra etiqueta, e comparar uma “Plus” com uma “Ultra” vai exigir ler a ficha técnica, porque o nome deixa de contar qual painel está ali.

A real é que a Samsung troca uma sigla que virou commodity por um sistema de níveis que ela controla, e o consumidor perde um atalho na hora de escolher.

Fonte(s): ETNews, ETNews (setembro) e BGR