Starshield: quais as diferenças para a Starlink e quem tem poder sobre ele

14 de Out de 2026 - 20:00
 0  0
Starshield: quais as diferenças para a Starlink e quem tem poder sobre ele

O governo da Ucrânia denunciou nesta quarta-feira (14) que a SpaceX, empresa de Elon Musk, restringiu o funcionamento da Starlink no país, o que prejudicou operações militares de Kiev contra a Rússia. As limitações teriam afetado principalmente o uso de drones em missões de ataque e defesa.

Segundo Serhiy Beskrestnov, assessor do presidente Volodymyr Zelensky para assuntos tecnológicos, a restrição atingiu o Starshield, a versão militar da Starlink, e limitou a conexão dos equipamentos que se deslocavam a mais de 160 quilômetros por hora. Ele afirmou que os militares ucranianos não receberam aviso prévio da mudança, o que provocou a interrupção de várias missões.

Integrantes do 7º Corpo de Reação Rápida da Ucrânia relataram à agência Reuters que alguns drones perderam a conexão por períodos de 10 a 20 segundos, mesmo quando voavam a velocidades inferiores ao limite informado. As falhas obrigaram unidades militares a cancelar operações no campo de batalha.

Quais são as diferenças entre a Starlink e a Starshield?

A Starlink é o serviço comercial de internet por satélite da SpaceX. A empresa utiliza uma rede de mais de 11 mil satélites que orbitam a Terra e enviam sinais de internet para antenas instaladas pelos usuários. O sistema atende residências, empresas, embarcações e até aeronaves, além de permitir conexões em regiões onde as redes tradicionais de comunicação não chegam.

Na Ucrânia, a Starlink passou a ser utilizada logo após o início da invasão russa, em fevereiro de 2022. O serviço ajudou os militares ucranianos a manter contato entre unidades, transmitir informações do campo de batalha e operar equipamentos de defesa quando parte da infraestrutura de comunicação do país foi atingida pelos ataques russos.

Por sua vez, o Starshield foi apresentado pela SpaceX no fim de 2022, mas com uma finalidade diferente. O sistema foi desenvolvido especificamente para atender governos e agências de segurança nacional, principalmente as Forças Armadas dos Estados Unidos.

Embora utilize parte da infraestrutura da Starlink, o Starshield possui equipamentos próprios e recursos adicionais de segurança. Segundo a SpaceX, o sistema permite transmitir informações militares sigilosas com uma proteção maior do que a oferecida pelo serviço Starlink comercial.

O Starshield permite que militares se comuniquem de forma segura, acompanhem imagens da superfície terrestre e utilizem satélites equipados com sensores para coletar informações durante operações de inteligência. Na prática, isso permite que governos utilizem a rede tanto para manter contato com tropas e equipamentos quanto para receber informações coletadas por satélites durante missões militares.

O Pentágono é atualmente o principal cliente do Starshield. O governo americano já contratou serviços da SpaceX para comunicações militares e adquiriu satélites destinados a atividades de reconhecimento e identificação de ameaças. O Reino Unido também utiliza o Starshield.

Quem controla o Starshield?

Segundo Musk, a Starlink pertence à SpaceX, que administra a rede comercial e estabelece suas condições de utilização. Já os sistemas Starshield, afirmou o empresário, pertencem ao governo dos Estados Unidos e estão sob controle das autoridades americanas.

"Qualquer limite de velocidade ou de uso é decidido pelos militares americanos e, em última instância, pelo presidente", escreveu Musk no X, em referência ao presidente dos EUA, Donald Trump.

Apesar de ter apontado o governo americano como responsável pelo controle do Starshield, Musk não disse que Trump ordenou as restrições denunciadas pela Ucrânia. O empresário também não explicou por que os limites foram impostos justamente agora.

Apesar da fala de Musk, em junho deste ano a SpaceX divulgou um documento destinado a investidores no qual informou que continua responsável pela operação da rede Starshield. Segundo o documento, o serviço faz parte dos contratos da empresa com governos, incluindo o americano, que utiliza a tecnologia em atividades militares e de inteligência. O Pentágono compra acesso à rede, equipamentos e, em alguns projetos, satélites construídos especialmente para missões militares americanas.

Segundo o portal americano Axios, um alto funcionário do governo dos Estados Unidos negou que o governo Trump tivesse participação nas limitações denunciadas pela Ucrânia.

Ao longo desta quarta-feira, o funcionamento das conexões apresentou melhora parcial. O ex-ministro da Defesa da Ucrânia Mykhailo Fedorov informou no X que o serviço Starshield estava sendo restabelecido para drones que se deslocavam a até 160 quilômetros por hora.

"Eliminar completamente o limite de velocidade do Starshield agora é fundamental para a defesa da Ucrânia", escreveu Fedorov, que agradeceu a Musk e disse esperar que o empresário continue apoiando o país.

A restrição para equipamentos mais rápidos, portanto, ainda estava em vigor, segundo a imprensa internacional, o que prejudica parte das operações militares ucranianas.