Tarcísio volta a cogitar Presidência após saída de Flávio do país

29 de Out de 2026 - 09:00
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Tarcísio volta a cogitar Presidência após saída de Flávio do país

Em meio à saída do país do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após sua derrota nas eleições de 2026, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), admitiu a possibilidade de concorrer ao Planalto em 2030. A declaração ocorreu em entrevista ao jornal Estado de São Paulo publicada nesta quinta-feira (29).

"A gente tem que ver qual é o cenário de momento. E claro, eu vou estar terminando o segundo mandato aqui no estado de São Paulo. E terminando o segundo mandato, terminando bem, obviamente abre uma possibilidade. Mas isso é uma coisa que você avalia em grupo, você não avalia sozinho", afirmou.

Tarcísio foi o primeiro nome a ser considerado para substituir Jair Bolsonaro (PL) na corrida presidencial, uma vez que o ex-presidente foi declarado inelegível e, depois, preso. O nome ganhou as graças de nomes do Centrão, como o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), e o presidente do PSD, Gilberto Kassab. Bolsonaro, no entanto, encerrou a questão ao escolher o filho mais velho. Tarcísio aderiu e decidiu disputar um novo mandato ao Palácio dos Bandeirantes, vencendo logo no primeiro turno com 62,65% dos votos (14.491.874).

O feito ganha relevância no cenário nacional porque São Paulo é o maior colégio eleitoral do país. Uma comparação das votações mostra, porém, que Flávio não repetiu no segundo turno presidencial o total alcançado por Tarcísio na disputa estadual: recebeu 352.696 votos a menos. O republicano obteve 14.491.874 votos no primeiro turno, enquanto o candidato do PL recebeu 14.139.178 no segundo.

No campo adversário, ocorreu o movimento inverso nos números absolutos. Lula (PT) obteve 12.119.274 votos no segundo turno presidencial, 3.695.618 a mais do que Fernando Haddad (PT) havia recebido na disputa pelo governo paulista, quando terminou com 8.423.656 votos.

A comparação não permite identificar transferência individual de votos, já que envolve cargos e turnos diferentes, mas mostra que as votações obtidas pelos candidatos ao governo estadual não se reproduziram na mesma proporção na disputa presidencial. Também houve uma mudança no universo de votantes: o comparecimento aumentou em 970.133 eleitores entre o primeiro e o segundo turno. Ao mesmo tempo, a redução dos votos brancos e nulos fez o total de votos válidos crescer em 3.127.939.

Governador comenta carta de Flávio

Na entrevista, o governador também comentou a situação de Flávio. O governador disse que respeita o resultado das urnas e que o momento é de aprendizado e exercício de oposição.

"Não cabe contestar o resultado das urnas. Nós somos democratas, o resultado das urnas é soberano. O que a gente viu é uma posição majoritária da população que precisa ser respeitada. O que nos cabe agora é fazer oposição responsável, é começar a cobrar o governo", argumentou.

O senador saiu do país após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinar a entrega do seu passaporte. Seu paradeiro permaneceu desconhecido desde segunda-feira (26). Na quarta-feira (28), a imprensa registrou imagens de sua descida no aeroporto executivo de Opa-Locka, em Miami.

Naquela noite, Flávio divulgou duas versões de uma carta aos apoiadores: na primeira, se dizia "verdadeiro presidente eleito do Brasil". Na mais recente, trocou por "líder do Brasil". Em ambas, porém, fala em "fraude eleitoral", citando a extensão do horário de votação e o suposto uso da máquina pública por Lula com interesses eleitorais. Esses pontos, em sua visão, justificariam a cassação da chapa vencedora.

Tarcísio converge em parte com este posicionamento. Ele rejeita a alegação de fraude, mas avalia que Flávio só não venceu porque Lula lançou um "pacote de gastos desmedidos nessa reta final", que teria conseguido "iludir o cidadão".