Nos EUA, Flávio Bolsonaro se declara líder do Brasil e da oposição
O senador Flávio Bolsonaro(PL-RJ) afirmou, na tarde desta quarta-feira (28), que é o "líder do Brasil" e prometeu comandar a oposição ao governo Lula (PT). Inicialmente, ele havia se declarado "verdadeiro presidente eleito do Brasil" em uma nota divulgada pelo jornalista Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro. Flávio publicou uma nova versão da carta nas redes sociais, em que se autodeclara "líder do Brasil".
Além disso, a primeira versão da missiva trazia um brasão em que o nome do país era grafado como "Estados Unidos do Brazil", usado até 1967. A nova nota apresenta o brasão com a escrição "República Federativa do Brasil". Foi a primeira manifestação pública do parlamentar após desembarcar nos Estados Unidos com a família.
"Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania", dizia o comunicado original.
Na nova versão, ele afirma: "Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o líder e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania. Vocês que almejavam a mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação".
O senador abre a "carta à nação brasileira" agradecendo ao presidente da Argentina, Javier Milei, ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao governo americano por concederem abrigo e segurança jurídica à sua família.
"Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão", disse.
Ele rebateu as acusações de que teria fugido do país e destacou que não há mandado de prisão expedido contra ele. De acordo com o senador, ele deixou "um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece".
"Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime", afirmou.
Para Flávio, sua permanência no Brasil resultaria em censura ou prisão, o que impediria sua atuação como liderança oposicionista, a exemplo do que ocorre com seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Para fundamentar a decisão de manter sua militância política fora do país, Flávio citou precedentes de personalidades históricas que atuaram no exílio, incluindo Rui Barbosa, Charles de Gaulle, José Martí, Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado.
"Todos eles foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentavam. A história os chamou de outra coisa. Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil", declarou o senador.
Na carta divulgada nesta tarde, ele acusa o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de "fraude eleitoral". Flávio perdeu as eleições presidenciais contra Lula por cerca de 4,4 milhões de votos no último domingo (25).
A eleição foi marcada por um impasse após relatos de que o transporte público teria sido reduzido em cidades como Salvador (BA) e São Paulo (SP). O ministro Cristiano Zanin, do STF, determinou que a manutenção das seções eleitorais até as 19h em todo o país, duas horas a mais do que o previsto.
Zanin atendeu a um pedido da campanha petista sobre o transporte coletivo. No entanto, a equipe de Flávio solicitou a prorrogação da votação em locais afetados pelas fortes chuvas. O TSE informou que cerca de 34 mil votos foram registrados após as 17h no segundo turno.
"Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível. E as nulidades não são o único problema. Ao longo de toda a campanha, houve abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição", afirmou Flávio.
Após o TSE confirmar a vitória de Lula, o candidato do PL disse que não reconheceria o resultado e pediria a anulação da eleição. A proposta, contudo, não teria sido bem aceita por parte de seus aliados.
Na segunda-feira (26), Flávio foi intimado pela Polícia Federal logo após deixar a casa do pai por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator do processo em que o senador e o advogado Willer Tomaz são investigados por suposta lavagem de dinheiro.
O ministro determinou que ele entregasse os passaportes, o proibiu de deixar o país e de manter contato com Tomaz. Horas depois, Flávio divulgou um vídeo, recuou sobre a anulação da eleição e disse que pediria a cassação da chapa vencedora.
Além disso, ele garantiu aos seus apoiadores que não tinha intenção de deixar o Brasil. Na carta, o parlamentar acusa Moraes de colocar "em andamento a máquina de perseguição política do regime".
Os rumores sobre a possível saída do país começaram na madrugada de terça-feira (27) a partir de publicaçãos do site argentino Infobae. Os aliados do senador alegaram que sua decisão teria sido motivada para evitar perseguição política.
No final da noite de terça-feira (27), notícias davam conta de que Flávio e sua família já tinham desembarcado nos Estados Unidos. Porém, eles chegaram na manhã de quarta-feira (28) no aeroporto executivo de Opa-Locka, na região de Miami, Flórida. A viagem foi realizada em um jato executivo que partiu de Puerto Iguazu, na Argentina, com escala em Guayaquil, no Equador.
A Gazeta do Povo procurou o STF, o TSE e a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre as acusações de Flávio Bolsonaro, mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.