“Traço de psicopata”, diz mãe de bebê morta no DF sobre padrasto preso
Mãe de Alice Fraga Delgado de Oliveira (foto em destaque), de 1 ano e 3 meses, que morreu após dar entrada em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em parada cardiorrespiratória e com sinais de violência pelo corpo, Gabrielly Delgado de Oliveira falou com exclusividade ao Metrópoles sobre os últimos momentos com a filha.Confira a entrevista completa:Ela contou que em 25 de outubro tudo estava correndo normalmente, sem nenhum tipo de briga ou discussão. “A gente não teve nenhum embate naquele dia e ele (João Carlos Pereira da Costa, padrasto da criança) não teve nenhum contato com a minha filha no dia anterior, pois ela passou a noite comigo”, afirmou. Leia também Distrito FederalDefesa de mãe de bebê morta no DF diz que não há conivência com violência Na MiraLaudo da bebê morta pelo padrasto mostra costela quebrada e coração rompido Distrito FederalDefesa de pai de bebê morta após prisão de padrasto: “Passo rumo à verdade” Segundo a mãe de Alice, no dia da morte, seu então companheiro chegou a tirar uma foto dela dormindo com a criança. “Ele aparentava estar com muita saudade da minha filha e pediu para a gente se arrumar, pois iríamos na feira lanchar”.Gabrielly disse que mais tarde, João se ofereceu para levar ela e Alice em uma missa. “Disse que queria apresentar minha filha ao padre, pois queria agradecer pela vida dela e pelo livramento que minha filha teve na primeira vez (falando dos primeiros machucados).”Momentos antes da morteSegundo a mãe da criança, quando estavam a caminho de casa, eles passaram na residência do sogro, que estava dando carona. “Quando chegamos, o João pegou a Alice do meu colo e levou para a cama. Ele colocou desenho para ela assistir e foi pegar algumas roupas”, detalhou.No momento em que se preparavam para continuar o caminho, Gabrielly disse que João perguntou sobre a chupeta de Alice e voltou para procurá-la.“Disse que era para deixar quieto, pois estava com pressa para ir embora e ela tinha outra em casa. Não deu nem tempo de eu abrir a porta do carro, quando coloquei a mão na maçaneta, ele veio de dentro da casa, com a Alice no colo, gritando o nome dela. Entrei em total desespero”, recordou, em lágrimas.Ela contou que, no caminho para o hospital, chegou a tentar reanimar Alice. “Mas eu já sabia que a minha filha não estava mais viva. Perguntei o que tinha acontecido e ele disse que tinha dado água para ela enquanto procurava a chupeta, tanto que dei uns tapinhas nas costas dela, achando que ela pudesse estar engasgada”, relatou.“Psicopata”Gabrielly garantiu que, enquanto estavam na casa do seu sogro, Alice não gritou, chorou ou pediu socorro em nenhum momento. “Depois que a gente terminou com as compras e eu fui para o portão, ele veio atrás com ela em pé. Foi a última imagem que tive dela ainda viva”, lamentou.Após a confirmação da morte, ela disse que a primeira reação do padrasto da criança foi orar. “Quando confirmaram a morte da Alice, a primeira reação do João foi orar, segurar minha mão e falar que eu não estava sozinha.”Questionada se chegou a desconfiar de que João seria o autor dos machucados, ela disse que não. “Como encontrei ela machucada e com uma mordida na casa da babá, assimilei tudo a ela. Foi como se o João tivesse criado um cenário perfeito: machucou ela e a deixou na casa da babá para incriminá-la”, avaliou.“Ele nunca demonstrou nenhum comportamento agressivo. Pelo contrário, vivia falando que a Alice era filha dele. Ele se mostrou muito proativo no início das investigações. O João ficava noites viradas comigo no hospital, não sei se por medo. Hoje eu entendo que esse comportamento tem a ver com seu traço de psicopata e não com preocupação por parte dele”, observou.Gabrielly encerrou afirmando que “a Alice é a maior vítima dessa história”. “Só quero que ele pague, da pior forma possível. O João tirou de mim a única coisa que eu tinha na minha vida, por pura maldade e crueldade. Não consigo encontrar, no meu coração e na minha cabeça, resposta que justifique o que ele fez”, finalizou.