Weverton já não se contenta em salvar o Grêmio
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Com defesas decisivas e um lançamento genial, goleiro brilha contra o Galo e segue como protagonista de um time que cresce com Renato Portaluppi
Grêmio x Atlético-MG - Melhores Momentos
O efeito Portaluppi não foi imediato, mas enfim se faz sentir no . Nos últimos três jogos, é evidente que o time gremista evoluiu em termos de organização e, principalmente, em solidez defensiva. A vitória por 2 a 0 sobre o Atlético-MG deixou claro esse crescimento e colocou os tricolores às portas da decisão da Copa do Brasil. E, quando tudo ameaça ruir novamente, Weverton faz o que tem feito desde o início do ano: surge sob as traves gremistas como o último bastião de resistência tricolor.
Se o Grêmio pode almejar o título da Copa do Brasil e continua com chances razoáveis de escapar do rebaixamento no Brasileiro, o maior responsável é o arqueiro Weverton, que praticamente carregou o time nas costas até a chegada de Renato. O goleiro de 38 anos, bem por baixo, deve ter garantido uns dez pontos na classificação -- e, para ilustrar a hipótese, basta relembrar o que fez contra o Palmeiras, semanas atrás, em uma das maiores atuações individuais dos últimos anos.
Weverton comemora assistência para gol do Grêmio — Foto: Maxi Franzoi/AGIF
Como se não bastasse toda a excelência no seu ofício, Weverton resolveu também se apresentar como protagonista ofensivo. Ontem, em um lançamento digno de Zinedine Zidane, deixou Carlos Vinícius engatilhado para marcar o gol que abriu o placar. Durante boa parte da temporada, muito se disse que os grandes atributos gremistas estavam nos dois extremos do campo: goleiro e centroavante. Essa jogada é um desenho pedagógico dessa sentença. Mesmo nos momentos em que Carlos Vinicius oscilou, Weverton manteve-se impávido para proteger as redes gremistas de qualquer mau-olhado.
O Grêmio não é apenas Weverton e Carlos Vinícius, obviamente, em especial após a chegada de Renato. Depois de um começo instável, hoje o time apresenta consistência na defesa, senso de urgência, algum brilho no olho e capacidade de competir. Ainda com dificuldades para criar, tornou-se ferozmente vertical -- e o primeiro gol é a maior prova disso. O segundo, marcado por Noriega, nasceu de uma das jogadas mais básicas do futebol: um dois contra um maroto e ligeiro pela ponta. Sinal de que um tempero a mais não está descartado.
"É uma característica minha". afirma Weverton sobre jogada do gol
O Atlético teve muita posse de bola e pouca impetuosidade. Mesmo assim, obrigou Weverton a fazer umas três defesas difíceis. E essa foi uma jornada tranquila do goleiro, comparada à artilharia pesada que desabou sobre ele em alguns jogos. Não é loucura nenhuma afirmar que se trata de uma das melhores temporadas de sua carreira, mesmo considerando a época de esplendor vivida no Palmeiras.
O Grêmio parece ter sorte. No entanto, onde alguns cogitam dívidas quitadas com pais-de-santo e gordos anfíbios enterrados na pequena área tricolor, na verdade existe um legítimo representante da categoria dos goleiros decisivos. Aquele que faz os atacantes diminuírem conforme vão se aproximando da área. Aquele que transforma repetidos milagres em eventos cotidianos. E, vez que outra, ainda descobre um lançamento que atravessa meio mundo para encontrar seu centroavante a dois passos do paraíso.
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