Zelensky acusa Trump de traição e diz que Ucrânia retomará bombardeios a refinarias russas
Na maior escalada verbal com o presidente americano, Donald Trump, desde que foi humilhado no Salão Oval da Casa Branca em fevereiro de 2025, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse nesta quarta-feira (14) que retomará os ataques às refinarias de petróleo da Rússia e afirmou se sentir traído pelo mandatário dos Estados Unidos.
“O bloqueio [aos ataques às refinarias] acabou. Terminamos com ele”, disse Zelensky em entrevista ao jornal britânico Financial Times.
Trump acusou a Ucrânia de elevar os preços do diesel ao atacar refinarias russas na guerra entre os dois países europeus.
No fim de semana, o presidente americano anunciou um cessar-fogo nos ataques a infraestruturas de energia dos dois lados, mas a Rússia seguiu atacando essas unidades nos últimos dias, enquanto a Ucrânia disse estar respeitando a trégua.
Na entrevista ao FT, Zelensky também disse que os oficiais militares ucranianos foram informados pelos EUA que “se não pararem [os ataques a infraestruturas de energia], bloquearemos o compartilhamento das informações de inteligência” com Kiev.
Em outra entrevista nesta quarta-feira, ao talk show de Piers Morgan no YouTube, o presidente ucraniano foi perguntado se tinha sido “traído” pelo governo Trump e respondeu: “Sim”.
“É uma pena que estejamos perdendo um parceiro forte”, disse Zelensky, em referência ao anúncio feito por Trump na sexta-feira (9), de que fechou um acordo para comprar diesel russo.
Zelensky já havia criticado tal acordo, o que levou o mandatário americano a afirmar que a Ucrânia precisa de outro presidente.
Eleições presidenciais deveriam ter ocorrido na Ucrânia em 2024, mas foram canceladas devido à Lei Marcial, que proíbe pleitos nacionais durante guerras.
Em resposta a Trump, Zelensky afirmou que a Ucrânia realizará eleições se houver uma trégua de 60 dias no conflito.
Outro ponto de atrito com Washington foi a acusação de Kiev de que o empresário americano Elon Musk, aliado de Trump, teria restringido no país o Starshield, o serviço de nível militar irmão da rede de satélites de internet Starlink, o que teria comprometido ações militares na guerra contra a Rússia.
Nesta quarta-feira, Musk disse que o Starshield é controlado pelo governo americano e quaisquer limites de velocidade ou uso são decididos pelos militares dos EUA e, em última análise, por Trump.