Zelensky acusa Trump de traição e diz que Ucrânia retomará bombardeios a refinarias russas

15 de Out de 2026 - 10:00
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Zelensky acusa Trump de traição e diz que Ucrânia retomará bombardeios a refinarias russas

Na maior escalada verbal com o presidente americano, Donald Trump, desde que foi humilhado no Salão Oval da Casa Branca em fevereiro de 2025, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse nesta quarta-feira (14) que retomará os ataques às refinarias de petróleo da Rússia e afirmou se sentir traído pelo mandatário dos Estados Unidos.

“O bloqueio [aos ataques às refinarias] acabou. Terminamos com ele”, disse Zelensky em entrevista ao jornal britânico Financial Times.

Trump acusou a Ucrânia de elevar os preços do diesel ao atacar refinarias russas na guerra entre os dois países europeus.

No fim de semana, o presidente americano anunciou um cessar-fogo nos ataques a infraestruturas de energia dos dois lados, mas a Rússia seguiu atacando essas unidades nos últimos dias, enquanto a Ucrânia disse estar respeitando a trégua.

Na entrevista ao FT, Zelensky também disse que os oficiais militares ucranianos foram informados pelos EUA que “se não pararem [os ataques a infraestruturas de energia], bloquearemos o compartilhamento das informações de inteligência” com Kiev.

Em outra entrevista nesta quarta-feira, ao talk show de Piers Morgan no YouTube, o presidente ucraniano foi perguntado se tinha sido “traído” pelo governo Trump e respondeu: “Sim”.

“É uma pena que estejamos perdendo um parceiro forte”, disse Zelensky, em referência ao anúncio feito por Trump na sexta-feira (9), de que fechou um acordo para comprar diesel russo.

Zelensky já havia criticado tal acordo, o que levou o mandatário americano a afirmar que a Ucrânia precisa de outro presidente.

Eleições presidenciais deveriam ter ocorrido na Ucrânia em 2024, mas foram canceladas devido à Lei Marcial, que proíbe pleitos nacionais durante guerras.

Em resposta a Trump, Zelensky afirmou que a Ucrânia realizará eleições se houver uma trégua de 60 dias no conflito.

Outro ponto de atrito com Washington foi a acusação de Kiev de que o empresário americano Elon Musk, aliado de Trump, teria restringido no país o Starshield, o serviço de nível militar irmão da rede de satélites de internet Starlink, o que teria comprometido ações militares na guerra contra a Rússia.

Nesta quarta-feira, Musk disse que o Starshield é controlado pelo governo americano e quaisquer limites de velocidade ou uso são decididos pelos militares dos EUA e, em última análise, por Trump.