10 anos de Yuri!!! On Ice: inovador, especial e que mudou o cenário do animes

24 de Out de 2026 - 09:20
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10 anos de Yuri!!! On Ice: inovador, especial e que mudou o cenário do animes

Quando o episódio final de (doravante, YOI) foi lançado em 21 de dezembro de 2016, a demanda para assistir e discutir o episódio foi tão intensa que o Crunchyroll e o Tumblr saíram do ar. Aquele momento foi o ápice de um período de 12 semanas na internet que começou com uma expectativa cautelosa para a estreia de YOI em outubro — vinda, em grande parte, da comunidade de animes online e impulsionada por alguns trailers promocionais — e que, a partir daí, ganhou uma proporção imensa. Em uma época anterior ao boom dos dramas BL tailandeses ou ao lançamento de romances em língua inglesa, como Heartstopper e Rivalidade Ardente, YOI rompeu as barreiras do nicho de animes ao retratar um mundo no qual personagens queer não apenas estavam presentes, mas podiam vivenciar a alegria, uma intimidade leve e um final feliz. Dez anos depois, a obra continua sendo especial.

Yuri!!! On Ice começa quando o protagonista Yuri Katsuki (Toshiyuki Toyonaga) se encontra no seu pior momento. Um patinador artístico competitivo de 23 anos que enfrenta ansiedade e depressão, ele acaba de retornar para casa, no litoral do Japão, após uma temporada humilhante. Yuri está seriamente pensando em abandonar o esporte, quando seu ídolo e também competidor, o russo Victor Nikiforov (Junichi Suwabe), aparece no onsen da família de Yuri e se oferece para ser seu novo treinador. Ao longo da temporada de 12 episódios, Yuri desenvolve autoconfiança — tanto como patinador quanto como ser humano — e, nesse processo, acaba se apaixonando por Victor.

“Adorei a representatividade; ver personagens de todas as partes do mundo sendo tratados com carinho — até mesmo na escolha de suas músicas — foi incrível”, diz Em, uma pessoa não binária de 31 anos, fã da obra e natural do Centro-Oeste dos Estados Unidos. “Foi muito legal ter um anime com um elenco diverso e uma trilha sonora à altura.” Em reassiste a YOI todo inverno, quando a depressão sazonal aparece. “É uma história sobre amor, esperança, amizade e comunidade; ela me ajudou — e continua ajudando — a atravessar momentos difíceis na minha vida”, conta. “A obra era assumidamente queer justamente quando eu estava começando a entender minha própria identidade. Quando a vi pela primeira vez, pensei: se até um anime de grande alcance como este pode ser queer, então, com certeza, não há problema em eu também ser.”

A série contou com o patinador artístico japonês Kenji Miyamoto para coreografar as diversas sequências apresentadas na obra, conferindo ao anime uma autenticidade mais profunda e específica da modalidade esportiva. Como parte do processo de produção, Miyamoto gravou a si mesmo executando as coreografias; tais registros serviram tanto como referência quanto como material para o design de som. Os sons de atrito e ruídos que se ouvem quando os personagens deslizam, giram e realizam manobras no gelo provêm dessas gravações de Miyamoto. Esse profundo respeito pelo tema abordado rendeu à série o reconhecimento de patinadores artísticos da vida real, incluindo Johnny Weir, Adam Rippon e Evgenia Armanovna Medvedeva. “History Maker”, o tema de abertura do anime, foi executado durante a cerimônia de abertura do Grand Prix de Patinação Artística em Nagoia, e .

O legado de YOI

Para Maggie, acadêmica e autora de fanfics de YOI, o mundo mudou muito desde o lançamento do anime, mas isso torna a sua existência ainda mais vital. “Houve uma ascensão global do fascismo e do pensamento de extrema-direita ao redor do mundo, o que é uma resposta direta ao tipo de progresso social que YOI representa”, diz ela. “Isso se estende a todas as esferas. Por outro lado, o progresso continua avançando, e obras como Rivalidade Ardente comprovam o conceito estabelecido por YOI: a representação queer no esporte é fundamental.”

Apesar de seu enorme sucesso e legado duradouro, YOI ainda não ganhou uma segunda temporada. Um filme prelúdio focado em Victor, intitulado foi anunciado em 2017, com um trailer lançado em 2019. No entanto, o estúdio de animação MAPPA, citando “diversas circunstâncias”. Em 2025, o produtor Hideo Katsumata . Ainda assim, muitos fãs mantêm a esperança. Em janeiro de 2026, a Netflix anunciou uma parceria estratégica com o MAPPA para coproduzir e distribuir globalmente projetos de anime. Após o sucesso de YOI, o MAPPA produziu outros títulos de grande popularidade, incluindo Jujutsu Kaisen, Chainsaw Man e a temporada final de Attack on Titan.

“Se esta série voltasse, o fandom renasceria e esse retorno quebraria a internet”, diz Alexis, uma fã de 22 anos do Kentucky. Ela assistiu à série em 2016, depois de ouvir amigos falarem maravilhas sobre ela, mas, ao longo dos anos, tem visto novas gerações de fãs de anime descobrirem YOI, à medida que a obra se torna acessível em diferentes plataformas de streaming. “Sinto que, no momento, as edições [vídeos editados por fãs] estão muito populares. Já vi MUITAS edições com mais de 600 mil curtidas, e, nos comentários, só tem gente que espera há anos, ainda na esperança de ver os personagens novamente.”

Enquanto isso, os fãs de YOI continuam a se inspirar nesse anime de esportes inovador, demonstrando seu carinho ao rever a obra, viajar ao Japão, compartilhar a experiência com amigos e criar produções feitas por fãs — obras que, muitas vezes, transformam a própria experiência com a série. “É uma daquelas obras às quais sempre volto, não importa quantas pausas eu faça para acompanhar outros fandoms”, conta Mia, uma fã de 29 anos. “Ela me acompanhou em diversas fases da minha vida: quando fui estudar no exterior, durante o período em que fiquei confinada com minha família na pandemia e, agora, uma década inteira após ter descoberto a sua existência. Sei que, daqui a dez anos, estarei assistindo a tudo de novo.”

Matéria traduzida e adaptada por Bárbara Castro*