A camisa 1 da Seleção: Alisson não é o problema. O problema é quem vem depois

28 de Set de 2026 - 07:30
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A camisa 1 da Seleção: Alisson não é o problema. O problema é quem vem depois

Jornalista, um dos fundadores do Impedimento.org, dedicado ao futebol sul-americano

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Ancelotti faz mudanças no time em treinamento!

Muito se fala sobre o déficit geracional de talentos. De fato, as convocações da deixam evidente que não há tantos meio-campistas de qualidade quanto em outros tempos. A mesma coisa acontece nas laterais, posição que em épocas passadas era um emblema do futebol brasileiro. Vez que outra, a discussão inclusive chega em outra posição crucial: o homem das luvas.

Neste último caso, no entanto, o debate parece meio enviesado. Porque a questão não é quem deve ser o titular do Brasil, mas o que vai acontecer depois de Alisson. Ou mesmo o que aconteceria se, por uma questão física, o atual goleiro do Liverpool não estivesse apto para a próxima Copa. Na última convocação, o próprio Ancelotti deixou claro que pretende dar oportunidade a novos nomes, mas que .

Cada vez que algum outro goleiro ocupa a posição fica mais claro por que a titularidade de Alisson deveria ser inquestionável. Há uns dez anos ele é um dos melhores goleiros do mundo, mas sofre com o carimbo que marca toda uma geração sem títulos. No caso do camisa 1, diz-se que não faz milagres. Que não é um goleiro decisivo. É como se ele fosse a última instância do fracasso.

Alisson - Escócia x Brasil - Copa do Mundo — Foto: REUTERS/Amanda Perobelli

Em 2030, Alisson terá 37 anos. É uma idade totalmente viável para que um goleiro dispute uma Copa do Mundo em excelente nível. Mais do que isso: hoje, sua titularidade não parece sequer ameaçada. Pelo simples motivo de que ainda é, com folga, o melhor de sua posição, com fundamentos técnicos e um nível de atuação que o fariam titular não apenas do Brasil, mas de quase todas as grandes seleções.

Não tem sido fácil sequer encontrar companheiros de convocação que possam lhe fazer sombra na pequena área. Não que sejam maus goleiros, bem pelo contrário: Hugo Souza tem uma trajetória sólida com a camisa corinthiana, mas algo acontece quando veste a camisa amarela.

Outros nomes promissores também titubearam quando a chance surgiu, como Bento, de 27 anos. Para a última Copa, além de Alisson, foram convocados Ederson (33 anos) e Weverton (38 anos). A idade elevada dos reservas indica a dificuldade de se encontrar nomes promissores para uma futura transição na camisa 1. O Brasil não tem um problema no gol agora, mas pode ter um enorme problema para resolver quando Alisson não estiver mais disponível.

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Para os amistosos contra Austrália e Índia, o técnico Carlo Ancelotti chamou Otávio (Cruzeiro) e Pedro Morisco (Coritiba), com 20 e 22 anos, respectivamente. São nomes jovens que já mostraram potencial para justificar uma convocação, mas ainda falta bastante caminho a ser trilhado no minifúndio da grande área. Há outro nome que deveria ganhar destaque nesse debate: Carlos Miguel (Palmeiras) tem personalidade e desempenho que o credenciam a participar desse esboço de transição.

Todos têm talento e argumentos para participar da discussão, mas estão longe do nível de Alisson. E o paradoxo é que talvez o atual titular tenha seu tamanho reconhecido apenas quando tiver encerrado sua trajetória na Seleção. É exatamente aí, a meu ver, que o verdadeiro problema pode começar.

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