Revista de jornal britânico coloca família Bolsonaro na capa e fala em possível retorno ao poder

28 de Set de 2026 - 07:50
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Revista de jornal britânico coloca família Bolsonaro na capa e fala em possível retorno ao poder

A revista de fim de semana do jornal britânico Financial Times (FT) colocou a família Bolsonaro na capa, com uma ilustração que remete à série de TV “Succession”, da HBO – que trata da disputa dos herdeiros de um magnata das comunicações para ser seu sucessor no comando da empresa.

“Escândalo e sucessão no clã Bolsonaro” é o título da chamada de capa, que tem tom crítico contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus familiares.

“Jair Bolsonaro está preso por conspirar para um golpe, deixando seu filho mais velho para disputar a eleição contra seu antigo rival. Estaria a principal família da direita radical brasileira prestes a um retorno ao poder?”, afirmou o FT.

A reportagem segue em tom crítico aos Bolsonaro, classificando-os como um “clã radical”. “Conheça os Bolsonaro: um clã tão radical quanto disfuncional. Oscilando entre o conservadorismo e o caos, eles praticam um estilo de política paranoico. Assim como a família Trump, eles personificam o espírito político dos anos 2020: o superficial e o sinistro, a fusão entre celebridade, redes sociais e a busca pelo poder”, disse o jornal britânico, que fez breves descrições dos filhos do ex-presidente e das relações dele com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Em seguida, o FT abordou a eleição presidencial de outubro, na qual Flávio Bolsonaro (PL) será um dos adversários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“A maioria das pesquisas ainda coloca Lula ligeiramente à frente no primeiro turno, mas, nas últimas semanas, Flávio diminuiu a diferença. Se nenhum candidato obtiver mais de 50% dos votos no primeiro turno, os dois mais votados disputam o segundo turno mais tarde em outubro. Nesse cenário, as pesquisas mostram um empate técnico, enquanto os mercados de previsão agora atribuem ao desafiante chances maiores de vitória do que a Lula”, escreveu o jornal.

O FT então se debruçou sobre as propostas de Lula e Flávio. “Lula defende uma visão socialmente progressista que, segundo aliados, prioriza os pobres em um país profundamente desigual, mas que críticos apontam como perdulária, condenando a décima maior economia do mundo à mediocridade. Eles acusam o político de esquerda de ser leniente diante da crescente ameaça das facções do narcotráfico”, pontou o jornal britânico.

“Flávio, por sua vez, promete cortar drasticamente gastos públicos e impostos com políticas pró-mercado que, segundo ele, liberarão o potencial do Brasil. Ele quer reduzir a maioridade penal para 16 anos e construir novas prisões de segurança máxima. Seus detratores o veem como um fantoche de um golpista que se curvará aos interesses dos EUA. Entre seus objetivos políticos, o que mais se destaca é pessoal: libertar o pai”, afirmou, em referência à intenção de Flávio de conceder indulto a Bolsonaro, condenado no ano passado a 27 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por acusações de tentativa de golpe de Estado, em um julgamento que a família e seus apoiadores apontaram motivações políticas.

O FT também ponderou sobre as implicações internacionais do resultado da eleição de outubro.

“O resultado terá impacto além das fronteiras brasileiras. À medida que líderes de direita chegam ao poder em toda a América do Sul e a Venezuela se direciona para uma situação de efetiva vassalagem em relação aos EUA, o Brasil se torna uma peça importante na busca de [Donald] Trump pela hegemonia no hemisfério”, disse o jornal.