A história do Palmeiras se divide em antes e depois de Abel Ferreira

22 de Out de 2026 - 07:30
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A história do Palmeiras se divide em antes e depois de Abel Ferreira

Jornalista, um dos fundadores do Impedimento.org, dedicado ao futebol sul-americano

Sob o comando do técnico português, o time alviverde alcança a quarta decisão de Libertadores em sete edições. Com ou sem sofrimento, o Palmeiras sempre chega

Palmeiras 0 (5) x (3) 1 Fluminense | Melhores momentos | Semifinal | Conmebol Libertadores 2026

Seria complicado afirmar que um clube do quilate do tem sua história redimensionada por um técnico, por melhor e mais emblemático que ele seja. Mas é inegável que a história alviverde tem um antes e depois de Abel Ferreira -- e esse depois a gente não sabe quando (e onde) vai acabar.

O técnico português não alterou o tamanho do Palmeiras, mas transformou as aspirações palestrinas na época mais vitoriosa do clube, que vai para a quarta decisão de Libertadores nesses seis anos sob seu comando. Nesse recorte de tempo, são nada menos que onze títulos.

Os resultados respaldam a sua influência. Antes de Abel Ferreira, o Palmeiras tinha chegado a quatro decisões de Libertadores, com um título conquistado. Depois, são oito decisões, , e duas taças continentais. É o português que mais metal nobre levantou na América do Sul desde Pedro Álvares Cabral – mas, no caso de Abel, de forma legítima.

Abel Ferreira em Palmeiras x Fluminense — Foto: Marcos Ribolli

O campo explica a trajetória. Muito se fala da força mental do Palmeiras e da forma como a equipe preserva, ao longo dos anos, um espírito competitivo profundamente arraigado. Tudo isso é verdade. Mas o time de Abel se revela em muitos Palmeiras. Dias atrás, contra o Corinthians, pelo Brasileiro, um domínio incontestável, propondo o jogo e criando chances de forma alucinante -- uma atuação de luxo. Diante do Fluminense, semana passada, no Maracanã, apostou na costumeira eficiência defensiva e encaixotou-se para ser absolutamente letal quando os espaços se ofereceram.

É claro que Abel Ferreira comete equívocos, e o jogo de ontem deixou isso claro. Durante boa parte da partida, o Palmeiras fez um jogo seguro diante de um Fluminense valente e muito bem estruturado por Marcão. No entanto, criou pouco e deixou a impressão de se escorar na vantagem muito cedo. O gol de Hércules, ao fim do jogo, foi um castigo pela postura.

Abel Ferreira falou após a classificação do Palmeiras à final da Libertadores

Em seis anos e quatro finais de Libertadores, é claro que alguns espinhos deixariam arranhões -- nem só de flores se vive nas esquinas do continente. O que precisa ser celebrado, sobretudo, é a extraordinária constância com que o Palmeiras subverte cenários potencialmente terríveis. É uma consciência que atravessa a concepção de futebol e se manifesta cada vez que o time entra em campo. Anos atrás, é possível que Nonato tivesse cobrado o pênalti no outro canto -- o pacto às vezes assume um disfarce sádico.

A história do Palmeiras de Abel Ferreira parece um romance épico que sempre está na metade. À espera de Flamengo ou Estudiantes, chega à sua quarta decisão em uma de suas melhores fases, tanto coletiva quanto individualmente. Da força anímica, é desnecessário falar: o time alviverde parece capaz de mastigar marimbondos, se assim for preciso -- começando pelo seu técnico.

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