A incrível história do soldado que amputou o próprio pé para sobreviver e foi resgatado por drone

23 de Out de 2026 - 08:30
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A incrível história do soldado que amputou o próprio pé para sobreviver e foi resgatado por drone

A agência britânica Reuters publicou nesta sexta-feira (23) um relato que traduz a dura realidade que os militares da Ucrânia enfrentam na guerra contra os russos, que neste sábado (24) completará quatro anos e oito meses.

Kostiantyn Vlasenko, um soldado de infantaria ucraniano, ficou meses escondido em um buraco sob a caldeira de uma escola bombardeada e precisou amputar o único pé que lhe restava para sobreviver, antes de ser resgatado por um drone no início de outubro.

“Eu já tinha me dado como morto”, disse o soldado à Reuters em um hospital em Kharkiv, no nordeste da Ucrânia. “Eu sabia que não restava mais esperança.”

Vlasenko serve na 30ª Brigada Mecanizada, posicionada na região de Kharkiv, e em maio do ano passado foi enviado para a linha de frente para se juntar a outro militar, cujo codinome era Basky.

Eles ficaram em um abrigo improvisado e apertado, onde recebiam suprimentos diariamente por meio de drones.

Eles deveriam ter sido substituídos na posição durante o outono europeu do ano passado (primavera no Brasil), mas os dois soldados que vinham para a rendição foram mortos no caminho e outros dois enviados para recuperar os corpos também foram mortos.

“Foi aí que me dei conta de que aquele seria, definitivamente, um ponto de virada”, disse Vlasenko. “Que ninguém mais conseguiria sair dali.”

Vlasenko e Basky foram forçados a abandonar sua posição em meados de fevereiro, quando o local onde estavam abrigados foi inundado, e buscaram refúgio no prédio de uma escola em ruínas.

Os russos descobriram onde os dois militares estavam e, em um bombardeio com drone, Basky foi morto (no dia do seu aniversário de 50 anos) e Vlasenko teve o pé esquerdo dilacerado e sofreu ferimentos graves na outra perna.

Ele teve que se arrastar até um buraco — de cerca de 80 por 60 centímetros — sob a caldeira de metal que servia para aquecer a escola em tempos de paz.

Com o pé esquerdo já perdido, Vlasenko decidiu três meses depois amputar também o direito, que estava com o osso exposto.

“Tive que amputá-lo porque ele ficava apenas se arrastando atrás de mim”, contou. “A perna se arrastava tanto que o osso ficava cada vez mais para fora. Então, eu já não tinha mais nenhuma das minhas pernas.”

Os comandantes de Vlasenko, junto da 92ª Brigada de Assalto e outras unidades, iniciaram um planejamento para resgatar o soldado.

Fazê-lo por via terrestre se mostrou impossível, devido à ameaça dos drones russos. Dois veículos terrestres não tripulados foram destruídos pelos russos ao tentaram chegar até Vlasenko.

Quando o pessimismo já havia tomado conta, uma solução apareceu: um novo drone desenvolvido por uma empresa local, a Gurzuf Defence, capaz de transportar até 90 kg por uma distância de até 25 km.

Vlasenko soube da operação quando um dos pacotes de suprimentos que recebia regularmente via drone chegou com um equipamento de fixação para ele se amarrar e um telefone contendo vídeos de instruções.

No dia 4 de outubro, ele foi alcançado e levado para uma posição fora da linha de frente, na primeira operação conhecida desse tipo realizada por um drone aéreo na guerra da Ucrânia. Drones adicionais foram enviados para escoltar Vlasenko e repelir ataques russos.

Como durante todo o período em que ficou cercado, o soldado permaneceu tenso durante a operação. “Eu não tinha medo de cair — digamos, em algum lugar na floresta; não tinha medo disso. Mas tinha medo de cair na água, porque não sei nadar”, relatou à Reuters.

Na quarta-feira (21), após um encontro em São Petersburgo entre o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, e o ditador Vladimir Putin, o Kremlin informou que o líder russo concordou em retomar as negociações de paz com a Ucrânia mediadas pelos Estados Unidos a partir do próximo mês. Porém, no mesmo dia, a Rússia voltou a realizar fortes bombardeios contra o país vizinho.