Após derrota republicana, Trump escolhe arquiteto das deportações para chefiar gabinete da Casa Branca
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (6) que Stephen Miller, um dos principais responsáveis pela política de deportações de imigrantes ilegais de seu governo, será o novo chefe de gabinete da Casa Branca. A mudança ocorre três dias após a derrota do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato, que deram aos democratas o controle da Câmara e do Senado.
Miller, que atualmente ocupa o cargo de vice-chefe de gabinete, substituirá Susie Wiles, que foi uma das principais aliadas de Trump e responsável pela coordenação de sua campanha presidencial de 2024. A troca será oficializada na segunda-feira (9), segundo o próprio presidente, que confirmou a decisão em uma publicação na rede Truth Social.
"Tenho o prazer de anunciar que Stephen Miller, atual vice-chefe de gabinete do governo Trump e um dos meus conselheiros de maior confiança, se tornará chefe de gabinete a partir de segunda-feira, 9 de novembro de 2026", escreveu o presidente.
Trump elogiou Wiles no post e informou que a aliada passará a trabalhar na operação política ligada a ele. A assessora havia apresentado sua renúncia na noite desta quinta-feira (5), segundo informações divulgadas pela imprensa americana.
A saída da chefe de gabinete estaria diretamente relacionada ao resultado das eleições desta semana, de acordo com fontes ouvidas pelo portal Axios. Segundo o portal, Trump teria ficado insatisfeito com a dimensão das derrotas republicanas e responsabilizou Wiles pelo desempenho do partido. A assessora teria oferecido sua renúncia dois dias antes de o presidente aceitá-la.
Questionado por jornalistas sobre a decisão de fazer a alteração, Trump afirmou que desejava uma mudança na equipe e voltou a elogiar o trabalho de Wiles enquanto chefe de gabinete. "Às vezes, na vida, é preciso fazer mudanças", declarou, segundo a emissora CBS News.
Miller é um dos principais defensores das deportações em massa
Stephen Miller integra o círculo político de Trump desde sua primeira campanha presidencial, em 2016, e participou de seu primeiro governo, entre 2017 e 2021. Com o retorno do republicano à Casa Branca em janeiro de 2025, ele assumiu a função de vice-chefe de gabinete, com influência sobre as principais decisões de política interna.
Miller ganhou projeção principalmente por sua atuação na elaboração e implementação das medidas contra a imigração ilegal. Ele defende o endurecimento da fiscalização nas fronteiras, a ampliação das operações de agentes federais de imigração e a deportação em massa de estrangeiros que vivem irregularmente nos Estados Unidos.
Segundo a agência Reuters, Miller chegou a estabelecer uma meta de 3 mil detenções de imigrantes ilegais por dia, pressionando as autoridades federais a ampliarem suas operações. As ações passaram a alcançar estrangeiros que viviam havia décadas no território americano.
A escolha do assessor para a chefia de gabinete ocorre em um momento de dificuldades políticas para Trump. Com a vitória democrata nas eleições de terça-feira (3), o presidente terá de lidar com um Congresso controlado pela oposição durante os dois últimos anos de seu mandato.
O chefe de gabinete é um dos cargos mais importantes da Casa Branca. Cabe a ele coordenar o trabalho dos principais assessores presidenciais, organizar a agenda do governo e atuar na articulação política necessária para colocar em prática as prioridades do presidente.
De acordo com a Reuters, integrantes do governo americano avaliam que a promoção de Miller indica a intenção de Trump de manter uma postura mais agressiva na condução de suas políticas internas, mesmo diante da nova composição do Congresso.
A nomeação provocou críticas entre os democratas. O líder do partido no Senado, Chuck Schumer, afirmou que Trump não havia aprendido com a derrota eleitoral e prometeu resistência às políticas defendidas pelo novo chefe de gabinete. "Trump não aprendeu nada com sua derrota histórica", escreveu Schumer nas redes sociais.
Já Wiles, primeira mulher a ocupar o cargo de chefe de gabinete da Casa Branca, afirmou em sua despedida que continuará apoiando o presidente. Ela declarou que sua mudança de função não altera seu compromisso com Trump e com os objetivos políticos de seu governo.