Senado do Paraguai nega prorrogar prazo e abre sessão sobre impeachment de Peña
O Senado do Paraguai iniciou na manhã desta sexta-feira (6) uma sessão extraordinária para deliberar sobre um pedido de impeachment contra o presidente do país, Santiago Peña. Os senadores negaram uma solicitação do mandatário conservador para que fosse concedido um prazo de 72 horas para ele apresentar sua defesa.
Mais cedo nesta sexta-feira, Peña havia citado no X seus argumentos para solicitar a prorrogação.
“Fui notificado às 22h15 [de quinta-feira] com uma peça acusatória e cerca de 300 páginas de anexos, e pretendem que eu responda em menos de 12 horas. Isso não é devido processo legal”, escreveu o presidente.
O pedido de Peña foi criticado por senadores paraguaios, como o oposicionista Rubén Velázquez. “Ele quer ganhar tempo, busca a impunidade, manter o foro privilegiado, tornar-se senador vitalício e, com isso, evitar submeter-se à Justiça”, acusou o parlamentar, segundo informações do jornal ABC.
Com a apresentação da defesa do presidente e as discussões sobre as acusações e provas, a expectativa é que a votação sobre o impeachment só ocorra na noite desta sexta-feira.
Na quinta-feira (5), Peña anunciou sua renúncia devido ao escândalo do Ueno Bank, que sofreu intervenção esta semana e de cujo grupo controlador o presidente foi sócio até março de 2025, quando já governava o Paraguai.
Sua renúncia precisaria ser ratificada pelo Congresso paraguaio. Entretanto, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a abertura do processo de impeachment contra Peña e a denúncia foi encaminhada para o Senado.
O presidente conservador decidiu se defender nesse processo porque, caso sofra o impedimento, perderá o cargo de senador vitalício atribuído a ex-presidentes paraguaios e o foro privilegiado decorrente dessa condição.