Argentina alega reciprocidade e diz que não parabenizará Lula

27 de Out de 2026 - 15:40
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Argentina alega reciprocidade e diz que não parabenizará Lula

O porta-voz da presidência argentina, Adrián Ravier, disse nesta terça-feira (27) que o presidente Javier Milei não vai parabenizar seu homólogo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela sua reeleição porque o petista não teria cumprimentado o libertário quando este venceu o pleito argentino de 2023.

Ravier fez a declaração na mesma entrevista coletiva em que disse que não houve nenhum pedido de asilo político por parte de Flávio Bolsonaro (PL) à Argentina, em meio a relatos da imprensa local de que o senador, derrotado por Lula no domingo (25), teria ido a uma cidade argentina na Tríplice Fronteira com o objetivo de fugir para os Estados Unidos.

“Tomou-se nota do resultado eleitoral do Brasil”, disse o porta-voz. Ao ser questionado pelos jornalistas sobre o silêncio de Milei sobre o assunto desde domingo, Ravier alegou que “quando Javier Milei foi eleito em 2023, não houve qualquer gesto do presidente Lula para cumprimentá-lo pessoalmente, nem nada do tipo”.

“Por ora, não faremos nenhum comunicado”, disse o porta-voz, segundo informações do jornal Clarín.

“Do lado argentino, a diplomacia continua, as relações comerciais continuam e não esperamos que nada disso mude”, acrescentou. “O presidente não é um hipócrita; é evidente que existem diferenças ideológicas entre os dois mandatários — isso é um fato.”

Apesar da declaração de Ravier, Lula divulgou uma nota no X quando Milei foi eleito. “A democracia é a voz do povo, e ela deve ser sempre respeitada. Meus parabéns às instituições argentinas pela condução do processo eleitoral e ao povo argentino que participou da jornada eleitoral de forma ordeira e pacífica. Desejo boa sorte e êxito ao novo governo. A Argentina é um grande país e merece todo o nosso respeito. O Brasil sempre estará à disposição para trabalhar junto com nossos irmãos argentinos”, afirmou o presidente brasileiro à época.

Apoiador de Flávio, Milei trocou farpas com Lula durante toda a campanha presidencial brasileira, o que levou o governo petista a retirar seu embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli.