AVC: reconhecer os sintomas e agir rápido pode salvar vidas e evitar sequelas

AVC - Em entrevista ao Unicast, o neurocirurgião Wilson Guimarães Novais alerta sobre os fatores de risco Assessoria | Unimed Cuiabá O reconhecimento rápido dos sintomas e o encaminhamento imediato ao hospital são decisivos para reduzir o risco de sequelas e morte por Acidente Vascular Cerebral (AVC). O alerta foi feito pelo neurocirurgião e neurointervencionista Wilson Guimarães Novais, durante participação no Unicast, podcast da Unimed Cuiabá dedicado à informação, à prevenção e aos cuidados com a saúde. Segundo o especialista, o AVC se caracteriza pelo aparecimento súbito de alterações nas funções cerebrais. Entre os principais sinais estão a perda de força ou sensibilidade em um dos lados do corpo, a boca torta, a dificuldade para falar e as alterações no nível de consciência, como sonolência e desorientação. “São sinais simples que precisam ser identificados rapidamente, sem perder tempo”, destacou o médico, que tem mais de 25 anos de experiência e coordena o serviço e o programa de treinamento em neurorradiologia intervencionista no Hospital Santa Rosa, em Cuiabá. Ele também idealizou e fundou a rede SOS AVC na capital e atua na coordenação do serviço no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC). *Dois tipos de AVC* Durante a entrevista, Novais explicou que existem dois tipos principais da doença. O AVC isquêmico, responsável por aproximadamente 80% dos casos, ocorre quando uma artéria que leva sangue ao cérebro é obstruída. Já o AVC hemorrágico acontece quando há sangramento cerebral, geralmente associado à ruptura de vasos sanguíneos, incluindo aneurismas, ou a outros problemas vasculares. Embora tenham causas diferentes, os dois tipos exigem atendimento de urgência. Por isso, diante de sinais suspeitos, a orientação é acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192, ou o Corpo de Bombeiros, pelo 193, conforme a disponibilidade e a orientação do serviço de emergência. O especialista ressaltou que o encaminhamento direto a uma unidade com estrutura para diagnóstico e tratamento evita atrasos em locais que não dispõem dos recursos necessários para atender casos de AVC. Em Cuiabá, segundo ele, o Hospital Municipal conta com um fluxo de atendimento que permite levar o paciente diretamente à tomografia. *Tempo é determinante para o tratamento* A rapidez no atendimento está diretamente relacionada às possibilidades de recuperação. No AVC isquêmico, a falta de circulação sanguínea provoca a morte progressiva de células cerebrais, aumentando o risco de danos permanentes. “Tempo é cérebro”, resumiu Novais ao explicar que a demora pode resultar em sequelas irreversíveis ou morte. Entre os tratamentos disponíveis está a trombólise venosa, que utiliza medicamentos para dissolver o coágulo responsável pela obstrução. Em pacientes elegíveis, o procedimento deve ser realizado, tradicionalmente, em até quatro horas e meia após o início dos sintomas. Outra opção é a trombectomia mecânica, procedimento endovascular realizado com cateteres para retirar o coágulo da artéria cerebral. Em casos selecionados, após avaliação por exames de imagem, a intervenção pode ser indicada em uma janela de até 24 horas. *Pressão alta, diabetes e tabagismo aumentam o risco* Além de explicar os sinais de alerta, o neurocirurgião chamou a atenção para os fatores de risco que podem ser controlados ou reduzidos com acompanhamento médico e mudanças no estilo de vida. Entre os principais estão hipertensão arterial, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, sedentarismo, obesidade e consumo excessivo de álcool. A pressão alta merece atenção especial por ser um dos principais fatores de risco modificáveis para o AVC, tanto isquêmico quanto hemorrágico. O controle regular da pressão arterial, a adoção de uma alimentação equilibrada, a prática de atividade física e o abandono do cigarro são medidas importantes para reduzir as chances de ocorrência da doença. O médico também alertou para a dor de cabeça súbita e extremamente intensa, diferente das dores habituais, que pode indicar um AVC hemorrágico relacionado à ruptura de aneurisma. O quadro pode vir acompanhado de náuseas, vômitos e perda de consciência e exige atendimento de emergência. Por fim, ele reforçou que a prevenção começa nos cuidados diários e no acompanhamento dos fatores de risco. A identificação dos sintomas, a busca imediata por atendimento e o controle das condições que favorecem a doença são medidas fundamentais para reduzir o impacto do AVC na vida dos pacientes e de suas famílias. Médico Responsável: Dr. Wilson Guimarães Novais, inscrito no CRM-MT 3743 | RQE 863 (Neurocirurgia) e RQE 94 (Neurorradiologia Intervencionista) Unimed Cuiabá - Registro ANS: nº 34208-4