Bastidores: crise leva elenco do Corinthians a blindar vestiário e ampliar distância de Stabile
Grupo quer menos circulação no local em dias de jogo, apenas com funcionários ligados à partida; desgaste com o presidente, cobranças de Garro e má fase de Memphis aumentam a tensão no CT
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O elenco do quer blindar o vestiário em dias de jogos, especialmente os disputados na Neo Química Arena, em meio à crise e à pressão por resultados, que têm deixado o clima tenso nas últimas semanas.
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Os jogadores pediram que o vestiário seja frequentado apenas pelos funcionários diretamente ligados à partida. Há quem tenha visto isso como um recado para restringir a presença, também, do presidente Osmar Stabile. Ele diminuiu a ida aos vestiários nos últimos jogos.
Osmar Stabile, presidente do Corinthians, no CT Joaquim Grava — Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
O objetivo da restrição maior é blindar o grupo, preservar o ambiente interno e evitar vazamentos de informações dos bastidores, além de limitar a presença de dirigentes e pessoas sem função direta na rotina da equipe.
Stabile enfrenta forte resistência no CT Joaquim Grava. Falta de convivência e diálogo, promessas não cumpridas sobre a regularização de pagamentos atrasados e piadas consideradas fora de hora estão entre os principais pontos de atrito entre jogadores e o presidente, segundo relatos ouvidos pelo ge.
O desgaste aumentou com a condução da saída de Fernando Diniz, já que parte do elenco era contrária à demissão do treinador. Tanto que o para defender que os integrantes da comissão técnica eram "os menos culpados" pela sequência negativa.
Os jogadores também demonstram incômodo com a presença do vice-presidente Armando Mendonça, especialmente durante as viagens do . O dirigente é réu no processo que apura irregularidades envolvendo a gestão de materiais esportivos da Nike.
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Procurado pelo ge, o declarou, em nota, que o vestiário em dias de jogos é frequentado apenas por pessoas ligadas ao departamento de futebol, o que inclui o presidente.
— O Sport Club Paulista esclarece que o acesso ao vestiário em dias de jogos é limitado às pessoas ligadas ao departamento de futebol e que estão trabalhando na partida em questão, como o presidente, atletas, membros da comissão técnica e staff da área — diz a nota.
Discussão e vazamentos
Um dos jogadores que mais cobram mudanças internas é Rodrigo Garro. Entre funcionários do CT, há quem considere o argentino um atleta extremamente crítico, que costuma reclamar, por profissionalismo, quando identifica situações fora do padrão que considera adequado.
Por outro lado, outros funcionários avaliam que o meio-campista ultrapassa o limite nas cobranças e se torna inconveniente. Na visão dessas pessoas, as reclamações são excessivas e podem prejudicar o ambiente interno.
Rodrigo Garro, meio-campista do Corinthians — Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Recentemente, Garro teria ficado especialmente incomodado com o vazamento à imprensa da discussão que houve entre Matheuzinho e Gustavo Henrique no intervalo do clássico contra o Palmeiras.
O lateral-direito chegou ao vestiário fazendo forte cobrança aos companheiros, o que provocou a reação do zagueiro e uma discussão acalorada entre os dois, que precisou da intervenção do técnico interino, William Batista. Ele pediu que os jogadores se ajudassem neste momento de dificuldade.
Clima de preocupação
Funcionários do departamento de futebol dizem que não há racha no elenco, mas admitem que o ambiente é tenso em meio à sequência negativa na temporada, marcada pelas eliminações na Conmebol Libertadores e na Copa do Brasil e pelos resultados recentes no Campeonato Brasileiro.
Sob pressão, os jogadores estão envergonhados com o momento da equipe e preocupados com a possibilidade de rebaixamento.
Memphis sob pressão
Um dos atletas que demonstram preocupação com o cenário é o atacante Memphis Depay. Pessoas próximas avaliam que o holandês está sentindo a pressão devido à conturbada renovação de contrato.
Desde a reestreia de Memphis com vitória contra o Rosario Central, o perdeu oito jogos e empatou dois. Ele ficou marcado pelo pênalti perdido no jogo contra o Estudiantes, que eliminou o Timão da Libertadores.
Reação de Memphis Depay à perda do pênalti no fim de Corinthians x Estudiantes pela Libertadores — Foto: Marcos Ribolli
Demissão de Paz
Para a demissão do executivo Marcelo Paz, a diretoria considerou a insatisfação do elenco com o trabalho do profissional, além da má fase do time e da pressão da torcida organizada Gaviões da Fiel.
Parte do elenco entendia que o dirigente não defendia os interesses do grupo, principalmente em relação aos atrasos de pagamentos. Além disso, havia a avaliação de que Paz não tinha o perfil de boleiro de Fabinho Soldado, o antecessor dele no cargo, o que o aproximava dos jogadores.
Outra parte, porém, avaliava positivamente o trabalho de Paz, que tinha uma relação respeitosa com o elenco, ainda que não próxima.
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