BBAS3: Por que o 4T26 será o primeiro grande teste para o Banco do Brasil?

18 de Set de 2026 - 14:20
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BBAS3: Por que o 4T26 será o primeiro grande teste para o Banco do Brasil?

A recuperação do Banco do Brasil (BBAS3) após a forte deterioração da carteira de crédito rural dependerá menos do volume de renegociações e mais da capacidade dos produtores voltarem a honrar seus compromissos financeiros. Essa foi a principal mensagem transmitida pela administração do banco durante reuniões com investidores realizadas no Rio de Janeiro e destacada em relatório da Genial Investimentos.

Na avaliação da casa, o quarto trimestre de 2026 deverá ser o primeiro momento em que o mercado poderá avaliar com maior clareza se as medidas adotadas serão suficientes para recolocar os resultados em uma trajetória de recuperação sustentável.

O banco atravessa desde 2025 um ciclo de deterioração do crédito rural, que pressionou a inadimplência, reduziu a rentabilidade e impactou os indicadores de capital. Embora o segundo trimestre tenha mostrado sinais de estabilização na carteira agro, os analistas avaliam que ainda há um longo caminho para a normalização.

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Segundo o relatório, o principal indicador monitorado pela administração atualmente é a chamada pontualidade dos pagamentos, que mede a parcela dos compromissos quitados na data de vencimento. Em julho, o indicador estava próximo de 75%, muito abaixo do histórico de 97% a 98%. O Banco do Brasil indicou que essa taxa precisa se aproximar de 90% para que o custo de crédito volte a convergir para o guidance projetado para 2026.

Para melhorar esse cenário, a instituição endureceu critérios de concessão, reforçou exigências de garantias e passou a concentrar a originação em clientes considerados mais resilientes financeiramente.

MP 1.376 é aposta para destravar recuperação

O elemento central da tese é a execução da MP 1.376, medida provisória que ampliou os instrumentos disponíveis para renegociação de dívidas rurais afetadas por problemas climáticos ou queda dos preços agrícolas.

A medida permite renegociações com prazo de até oito anos, carência de dois anos para o principal e taxas equalizadas, desde que os produtores apresentem laudos técnicos que comprovem as dificuldades enfrentadas.

Segundo o Banco do Brasil, o potencial da nova MP pode alcançar cerca de R$ 30 bilhões entre operações inadimplentes e contratos que já tiveram vencimentos prorrogados. A medida sucede a MP 1.314, que anteriormente movimentou aproximadamente R$ 38 bilhões e ajudou a aliviar pressões sobre o capital do banco.

No entanto, a operacionalização da MP começou apenas no final de agosto, o que limita seus efeitos sobre o terceiro trimestre.

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Por isso, a Genial acredita que o quarto trimestre será o verdadeiro teste da estratégia. O período já deverá incorporar maior volume de contratos renegociados e, principalmente, evidências sobre o comportamento dos clientes após a reestruturação das dívidas.

Desafio para alcançar o guidance

As contas explicam a relevância do período. O Banco do Brasil acumulou lucro de R$ 7,3 bilhões no primeiro semestre de 2026. Segundo exercício elaborado pela Genial, mesmo assumindo crescimento de 10% no lucro do terceiro trimestre, para aproximadamente R$ 4,3 bilhões, ainda seria necessário entregar cerca de R$ 6,4 bilhões no quarto trimestre para alcançar o piso de R$ 18 bilhões previsto no guidance anual.

Para os analistas, o resultado do terceiro trimestre poderá ser menos importante pelo lucro reportado e mais pelas sinalizações fornecidas pela administração sobre a execução da MP, a evolução da pontualidade e o comportamento das operações agro classificadas nos estágios de maior risco.

Agro estabiliza, mas inadimplência segue elevada

Há alguns sinais positivos recentes, mas o quadro continua desafiador. A inadimplência acima de 90 dias na carteira agro encerrou o segundo trimestre em 6,27%, praticamente estável na comparação com o primeiro trimestre. Ainda assim, o estoque de operações problemáticas permanece próximo de R$ 26,4 bilhões.

Além disso, a inadimplência acima de 30 dias avançou de 7,35% para 8,97% entre março e junho, movimento que a instituição atribui, em parte, à espera dos produtores pelas novas condições de renegociação trazidas pela MP 1.376.

O mercado acompanha o agro, mas outras linhas de crédito também geram atenção. A inadimplência acima de 90 dias na carteira de pessoa física avançou de 6,82% para 8,41% no segundo trimestre. Em cartões, o indicador saltou de 7,10% para 14,58%.

Segundo o banco, parte da piora está ligada a produtores rurais que também utilizam produtos de varejo, além do aperto sobre a renda das famílias. No caso dos cartões, houve ainda impacto de uma funcionalidade de parcelamento automático implementada no final de 2025 e posteriormente restringida no início do segundo trimestre.

Para a Genial, os instrumentos de recuperação estão mais claros do que estavam há alguns meses, mas o ritmo da normalização segue cercado de incertezas.

A avaliação é que a estabilização do agronegócio representa apenas a primeira etapa de um processo mais longo. O sucesso dependerá da capacidade de transformar renegociações em retomada efetiva dos pagamentos, reduzir a inadimplência e reconstruir a rentabilidade do banco. Assim, os próximos dois trimestres serão decisivos para determinar se o Banco do Brasil finalmente entrou em um ciclo consistente de recuperação ou se a normalização dos resultados voltará a ser adiada.

A Genial tem recomendação de manutenção para BBAS3, com preço-alvo de R$ 23,30, muito próximo do atual patamar das ações.

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