Candidato ao Governo do RN, Robério Paulino promete 50 mil moradias e defende combate à sonegação; veja entrevista

Inter 1 entrevista Professor Robério Paulino (PSOL), candidato ao governo do RN O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Professor Robério Paulino (PSOL) afirmou, em entrevista ao Inter 1, da Inter TV Cabugi, nesta sexta-feira (18), que pretende construir 50 mil moradias no estado e promover um processo de industrialização para ampliar a geração de empregos e a arrecadação. Durante a entrevista, o candidato também falou sobre o déficit habitacional, as contas públicas, o crescimento do patrimônio declarado à Justiça Eleitoral, o direito de greve, a Previdência estadual, a relação com os demais poderes e propostas para o meio ambiente e a educação. 📳 Clique aqui para seguir o canal do g1 RN no WhatsApp 🗳️ Veja a página especial das Eleições 2026 no RN Robério defendeu ainda a criação de um conselho de governo formado por representantes de universidades, entidades profissionais e setores da sociedade civil. “Eu quero governar com a inteligência, com a ciência e a capacidade técnica das universidades, das associações profissionais de jornalistas, de engenheiros, de advogados, de enfermeiros, de médicos. Vamos reunir toda a inteligência do Estado”. O Inter 1 promoveu, ao longo desta semana, uma série de entrevistas ao vivo com os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte. Cada candidato teve 30 minutos para apresentar propostas e responder a perguntas sobre temas relacionados ao estado. As entrevistas foram conduzidas por Emmily Virgílio e Larisse Neves, correspondente da Inter TV Cabugi em Brasília. Robério Paulino fechou rodada de entrevistas do Inter 1 Lucas Cortez/Inter TV Cabugi Foram entrevistados: Álvaro Dias (PL) Cadu de Lula (PT) Rodrigo de Bolsonaro (AGIR) Allyson Bezerra (União) Proposta de 50 mil moradias Robério foi questionado sobre a proposta de construir 50 mil moradias no Rio Grande do Norte. Segundo ele, o estado tem um déficit habitacional de quase 200 mil pessoas. O candidato citou como referência um modelo de construção de moradias adotado durante a gestão da ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina, com participação da população e dos trabalhadores nas obras. Robério afirmou que pretende buscar financiamentos e parcerias com instituições financeiras e prefeituras para viabilizar a proposta. “Há financiamento para isso, da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil, numa parceria com Minha Casa Minha Vida. Isso tudo é possível”. O candidato também defendeu a participação de universidades e entidades profissionais na elaboração de políticas públicas. “Eu quero governar com a inteligência, com a ciência, com a inteligência e a capacidade técnica das universidades, das associações profissionais de jornalistas, de engenheiros, de advogados, de enfermeiros, de médicos”. Robério citou a UFRN, a UnP, a UERN, a Ufersa e o IFRN como instituições que poderiam contribuir com a gestão. Contas públicas e combate à sonegação Durante a entrevista, Robério apresentou números da Lei Orçamentária Anual de 2026. Segundo os dados citados por ele, a receita estimada do Rio Grande do Norte é de R$ 25,7 bilhões, enquanto a despesa prevista chega a R$ 27,2 bilhões. A diferença representa um déficit estimado de R$ 1,5 bilhão. O candidato afirmou que não pretende aumentar impostos, mas defendeu o combate à sonegação fiscal. Segundo ele, a estimativa própria é de que aproximadamente R$ 4 bilhões deixem de ser arrecadados pelo estado em razão da sonegação. Robério também criticou a possibilidade de reduzir despesas públicas por meio de cortes nos salários dos servidores. “Não vou cortar do servidor ou da professora. Não vou. Nós vamos estudar com calma os excessos que existem, as gorduras que existem, aquilo que for de necessário em transporte, etc. Nós podemos cortar”. Para aumentar a arrecadação, o candidato defendeu a industrialização do estado e a produção local de itens atualmente comprados de outras regiões. “No supermercado, 80%, 90% dos produtos vêm de fora. Produtos simples, como água sanitária, pão de queijo, pizza congelada, sabonete, xampu, detergente, desinfetante, tudo isso nós podemos fabricar aqui, sem ficar esperando empresas virem de fora, construindo nossas próprias empresas”. Patrimônio declarado à Justiça Eleitoral As entrevistadoras questionaram Robério sobre o crescimento do patrimônio declarado por ele à Justiça Eleitoral. O patrimônio passou de aproximadamente R$ 105 mil, em 2020, para R$ 2,194 milhões em 2026. Robério afirmou que não enriqueceu na política. Ele explicou que o patrimônio inclui um prédio familiar construído há cerca de dez anos com recursos da família e um empréstimo consignado do Banco do Brasil. O candidato também afirmou que abriu mão do salário de vereador durante o mandato na Câmara Municipal de Natal, entre 2021 e 2024, e permaneceu recebendo o salário de professor. Robério disse que entrou na Câmara Municipal com um Fiesta 2010 e saiu, no último ano, com o mesmo carro. “Mas esse prédio já existia há dez anos. Fruto do suor dos meus pais, meu e da minha esposa, e de um empréstimo consignado que nós pegamos junto ao Banco do Brasil para construir esse prédio”. Direito de greve Robério defendeu o direito de greve dos trabalhadores e afirmou que, caso seja eleito, não pretende reprimir movimentos grevistas. “Eu lutei muito, quando eu era mais jovem, para colocar o direito de greve na Constituição. E a greve é um direito, é lei escrito na Constituição Federal”, pontuou. O candidato afirmou que os serviços essenciais podem ser mantidos durante as paralisações por meio de escalas de trabalho. “Agora, há uma forma de fazer escala, você pode manter 20%, 30% trabalhando com o básico.” Robério também criticou decisões judiciais que determinam o início ou o fim de greves. Segundo ele, as decisões sobre as paralisações devem ser tomadas pelos trabalhadores em assembleia. Apoio a Lula e críticas à direita Questionado sobre a relação entre PSOL e PT, Robério declarou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou que os eleitores deveriam votar nele. O candidato também fez críticas à direita e mencionou o Banco Master e o senador Flávio Bolsonaro durante a entrevista. Robério defendeu ainda o fim da escala de trabalho 6x1 e a adoção de uma jornada de cinco dias de trabalho por dois de descanso, com limite de 40 horas semanais. "Eu faço críticas ao governo Lula, mas eu acho que a direita é muito pior. Então, os trabalhadores, aqueles que defendem o fim da escala 6x1, aqueles que defendem o 5x2, as 40 horas semanais, não podem votar na direita. Eu acho que todos devem votar em Lula". Educação e industrialização Na área da educação, Robério defendeu a ampliação do ensino integral para todas as escolas do Rio Grande do Norte e a valorização salarial dos professores e dos demais servidores públicos. O candidato também afirmou que pretende promover uma transformação na economia do estado por meio da industrialização e do incentivo à produção local. Segundo Robério, a estratégia permitiria aumentar a arrecadação, gerar empregos e reduzir a dependência de produtos fabricados em outras regiões do país. Plantio de 5 milhões de árvores Robério prometeu plantar 5 milhões de árvores nativas no Rio Grande do Norte. Segundo ele, a proposta busca combinar preservação ambiental, produção agrícola e geração de empregos. “É o que eu quero fazer. Um plano de plantar 5 milhões de árvores nativas, como juazeiro, como umbuzeiro, que sabem guardar água nas raízes e são frutíferas para gerar uma poderosa agroindústria e milhares de empregos, combinando a questão ambiental com a questão econômica”, disse. O candidato também defendeu a construção de milhares de cisternas de calçadão para armazenar água da chuva. “Nós temos que fazer milhares de uma coisa que nós chamamos de cisterna de calçadão, que é uma placa de cimento com a cisterna fechada, com água limpa, para guardar a água que existe.” Considerações finais No encerramento da entrevista, Robério afirmou que pretende promover uma transformação profunda e estrutural no Rio Grande do Norte. O candidato também afirmou que pretende avançar 40 anos em quatro anos de governo. “O que eu quero dizer é que eu estou propondo fazer um projeto de transformação profunda, estrutural, em nosso Estado. Uma coisa que nunca ninguém viu”.