Brasileiro pede mais uso de tecnologia contra o crime, aponta Quaest

18 de Set de 2026 - 13:50
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Brasileiro pede mais uso de tecnologia contra o crime, aponta Quaest

Pesquisa Nacional de Segurança e Tecnologia realizada pela Quaest em parceria com a Pax, empresa de inteligência artificial para segurança pública, mostra que 86% dos brasileiros apoiam o uso de inteligência artificial no combate à violência. O tema (violência e criminalidade) é apontado pela maioria dos entrevistados como o grande problema do país.

Câmeras integradas à inteligência artificial e ao trabalho policial são consideradas uma medida efetiva por uma fatia ainda mais ampla da população entrevistada: 93%. A pesquisa, divulgada nesta sexta-feira (18), mostra que a violência ainda é a principal preocupação dos cidadãos, com 28% do total das respostas.

Em segundo aparece a corrupção, que chegou a 22% das respostas. A economia aparece logo depois, com 19%, enquanto para 15% dos entrevistados, é a saúde o principal problema enfrentado pelo país.

Reconhecimento facial com IA em locais de grande circulação, como estádios e áreas comerciais, tem 91% de aprovação popular.

Outros 5% responderam que é o desemprego, e mais 5% elencaram a área da educação. Para 1%, o problema mais grave do Brasil é a infraestrutura. Outros problemas ficaram no topo na opinião para 2%, e outros 4% não souberam ou não responderam.

A coleta dos dados foi realizada por meio de entrevistas face-a-face de 12 a 15 de setembro. Foram 2.004 entrevistas com brasileiros de 16 anos de idade ou mais. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, e a taxa de confiança é de 95%.

Câmeras com IA são apoiadas para localização de desaparecidos e veículos roubados

De acordo com os dados, o apoio ao uso da tecnologia no combate ao crime não se limita à ideia geral de inovação. Há aprovação expressiva para aplicações concretas e específicas, com aprovação que varia de 90% a 97%. O maior índice é observado no uso de câmeras com IA para ajudar a localizar pessoas desaparecidas, aprovado por 97%.

Na sequência, aparecem a identificação de veículos roubados ou utilizados em crimes e a identificação de foragidos da Justiça, com 96% de aprovação entre os entrevistados. O reconhecimento facial com IA em locais de grande circulação, como estádios e áreas comerciais, tem 91% de aprovação.

Já o uso de inteligência artificial para proteger as fronteiras e para reprimir facções criminosas têm de 90% cada. A pesquisa também aponta que a adesão à IA vem acompanhada de exigências. Entre a minoria de brasileiros contrários ao uso de ferramentas de IA, são apontados como os principais motivos para a resistência o risco de erro na identificação de pessoas (16%), dúvidas sobre a eficácia da tecnologia (15%), risco de invasão de privacidade (12%).

Na opinião de 70% dos brasileiros entrevistados, a violência aumentou muito nos últimos dois anos.

“A pesquisa confirma a preocupação atual dos brasileiros com a segurança pública, ressalta a busca por soluções, e demonstra a abertura dos brasileiros ao uso de tecnologia na segurança”, afirma o diretor de Inteligência em Opinião da Quaest, Guilherme Russo.

“Segurança pública é um problema complexo, que não se resolve de forma isolada", pontua o cofundador e diretor-executivo da Pax, David Peixoto. "A tecnologia contribui quando potencializa a ação policial, tornando o trabalho mais rápido, preciso e efetivo. A IA traz uma nova chance para atacarmos o maior problema do país - e a pesquisa mostra que os brasileiros não querem que os governos deixem essa oportunidade passar”, diz o líder da empresa que fornece produtos e serviços de IA voltados para aplicação na segurança públic.

A plataforma da empresa cruza em tempo real dados que o Estado já possui, como imagens de câmeras, boletins de ocorrência, mandados de prisão e bases de veículos, identifica padrões e, diz ele, entrega pistas às forças policiais.

De acordo com os dados da pesquisa, o uso de câmeras de monitoramento com IA na segurança pública é apontado por 93% como uma das soluções para diminuir a violência no Brasil, o mesmo percentual que acredita que uma educação melhor e mais oportunidades para os jovens também ajuda a diminuir a criminalidade. Cada entrevistado podia escolher mais de uma resposta neste quesito. 

Para 92%, punir os criminosos com leis mais rígidas é uma forma efetiva de melhorar a segurança pública, e 90% acreditam que mais policiamento na rua e mais trabalho de inteligência com tecnologia nas mãos da polícia são efetivos. 

Endurecimento no combate a facções e grandes operações em comunidades são apoiados pela maioria, aponta Quaest

Ações duras contra facções com megaoperações em comunidades são apoiadas por 80%, e 78% querem a criação de um Ministério da Segurança Pública. Por fim, 58% são a favor da restrição de acesso a armas de fogo por parte da população em geral.

A pesquisa Pax/Quaest revela ainda que, na opinião de 70% dos entrevistados, a violência aumentou muito nos últimos dois anos. Para 9%, aumentou pouco. Para 15% ficou igual, para 4% diminuiu um pouco e, para 1% dos entrevistados, a violência diminuiu muito. Não souberam ou não responderam somaram 1% dos entrevistados.

Para 73% dos entrevistados, a violência aumentou por que tem acontecido mais crimes e eles ficaram mais violentos — 14% responderam que é por causa do aumento no volume de crimes e 12% acreditam que a violência aumentou apenas porque os crimes ficaram mais violentos.

Na visão de 67% das pessoas ouvidas pelos pesquisadores, a punição para os criminosos tem sido menor nos últimos anos. Outros 22% acham que a punição tem sido maior, e 11% não responderam.