Bodo/Glimt venceu 37 de 48 jogos continentais em casa desde 2020
O Bodo/Glimt venceu 37 dos 48 jogos disputados em casa por competições europeias desde 2020. O retrospecto impressionante ganhou mais um capítulo nesta quarta-feira (14), quando a equipe norueguesa derrotou o Borussia Dortmund por 1 a 0, pela Champions League, no estádio Aspmyra.
Localizado acima do Círculo Polar Ártico, o estádio tem capacidade para apenas 8.270 torcedores, mas se tornou um dos ambientes mais difíceis para os visitantes no futebol europeu. Entre as vítimas do Bodo/Glimt em casa estão Roma, Porto, Lazio, Manchester City, Inter de Milão e Sporting.
O frio intenso, os ventos costeiros e o gramado sintético de alta velocidade formam uma combinação que favorece o estilo de jogo agressivo da equipe, conhecido pela pressão constante sobre os adversários.
Em seu resumo da partida contra o Dortmund, o próprio clube alemão reconheceu as dificuldades enfrentadas em campo.
“Em condições de vento e frio, o adversário norueguês aproveitou melhor a bola no gramado sintético do Aspmyra Stadion”, publicou o Borussia Dortmund em seu site oficial.
O meio-campista Patrick Berg destacou a confiança do time quando atua diante de sua torcida.
“Sentimos confiança jogando em casa. Muitas equipes não gostam de vir para cá”, afirmou após a vitória de quarta-feira.
A armadilha do Aspmyra
A sequência de resultados surpreendentes rendeu ao estádio o apelido de “Armadilha do Aspmyra”. A arena fica a mais de 800 quilômetros ao norte de Oslo, capital da Noruega, e submete os visitantes a temperaturas próximas ou abaixo de zero, ventos fortes e poucas horas de luz durante o inverno.
“Jogar futebol em Bodø em fevereiro é algo especial para muitas equipes e jogadores, mas estamos acostumados”, afirmou o técnico Kjetil Knutsen em outra ocasião.
O gramado artificial foi desenvolvido para suportar as condições climáticas rigorosas da região nórdica. Para equipes acostumadas à grama natural, porém, o quique e a velocidade da bola podem exigir adaptação, além de aumentar o desgaste físico.
Os torcedores também enfrentam o clima adverso para apoiar o time em um estádio antigo, com estrutura aberta ao vento e apenas um dos cantos totalmente protegido.
Gramado sintético divide opiniões
A superfície do Aspmyra é motivo de debate entre treinadores visitantes há anos.
Em 2022, Ange Postecoglou, então técnico do Celtic, decidiu não levar o elenco para treinar no gramado do estádio na véspera do confronto. A equipe realizou a atividade em Glasgow e, posteriormente, perdeu por 2 a 0 na Noruega, sendo eliminada da Conference League com derrota por 5 a 1 no placar agregado.
José Mourinho, ex-técnico da Roma, também criticou duramente o campo depois de sua equipe sofrer uma goleada por 6 a 1 no Aspmyra, em 2021.
“Futebol de alto nível em um gramado de plástico não é futebol de alto nível. A bola fica lenta e os jogadores não conseguem driblar… Não entendo por que a Uefa permite jogos da Champions League em um campo sintético”, declarou Mourinho na ocasião.
Há quem veja a superfície como parte essencial da identidade do Bodo/Glimt. O comentarista norueguês Sverre Krogh Sundbo elogiou o estilo de jogo proporcionado pelo campo.
“Adoro a grama sintética. Gosto desse estilo de futebol. É um tiki-taka, com transições extremamente rápidas e ritmo elevado”, afirmou.
Novo estádio pode mudar cenário
Embora o gramado sintético deva continuar fazendo parte da identidade do clube, o Aspmyra se aproxima do fim de sua vida útil.
Uma nova arena, com capacidade para 10 mil pessoas e arquibancadas totalmente fechadas, está em construção. A estrutura deverá oferecer maior proteção contra o vento e condições mais confortáveis para torcedores e jogadores.
Ainda não se sabe, porém, se a mudança reduzirá a vantagem que transformou o estádio atual em um dos palcos mais temidos pelos visitantes no futebol europeu.
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