Bolsa a 159 mil pontos? Trader projeta até onde pode cair o Ibovespa

30 de Out de 2026 - 19:30
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Bolsa a 159 mil pontos? Trader projeta até onde pode cair o Ibovespa

O Ibovespa encerrou uma semana histórica de perdas próximo dos 168 mil pontos e, com importantes suportes rompidos, já coloca uma nova região no radar da análise técnica: entre 164.800 e 159.000 pontos.

O índice fechou esta sexta-feira (30) aos 167.906 pontos, acumulando queda de 18,13% na semana e cinco pregões consecutivos de baixa. A pressão se intensificou após o segundo turno das eleições, com o Ibovespa chegando a acionar o circuit breaker na segunda-feira (26), quando despencou 13,88%.

Agora, com a forte correção e a perda de referências técnicas observadas antes da eleição, a atenção se volta para onde o movimento de baixa pode encontrar suporte.

Para Aliakyn Pereira, analista técnico da Clear, o comportamento recente do índice indica uma possível formação gráfica de alargamento. Nesse cenário, a faixa entre 164.800 e 159.000 pontos passa a ser um dos principais níveis a observar.

Segundo Pereira, essa região pode representar um teste importante para a pressão vendedora e indicar se o Ibovespa encontra espaço para uma reação ou mantém o movimento de queda.

A mudança no cenário é expressiva. Em análise anterior, Pereira havia apontado os 210 mil pontos como primeiro alvo de alta. O índice chegou perto dessa região ao renovar a máxima histórica em 209.713 pontos, no início de outubro. Após a reversão das últimas sessões, porém, o foco da análise passa dos alvos de alta para os próximos suportes do Ibovespa.

Padrão de alargamento coloca suportes no radar

No gráfico semanal, Pereira identifica a possibilidade de formação de um padrão de alargamento, caracterizado pela ampliação das oscilações entre os topos e fundos do mercado. Essa configuração pode produzir movimentos intensos, inclusive com rompimentos temporários de níveis técnicos importantes.

“Muitas vezes o mercado busca a extremidade, parece que rompeu aquele ponto, e muitas vezes acaba fazendo um movimento oposto na sequência”, explica Pereira.

A primeira referência de suporte está próxima dos 164.800 pontos, região que anteriormente serviu de base para uma recuperação do índice. A faixa se estende até os 159.000 pontos, formando uma área em que o especialista espera maior disputa entre compradores e vendedores.

“Então a minha expectativa é de que a região dos 164 mil e 800 até os 159 mil sirva como um suporte muito forte no curtíssimo prazo”, afirma o analista.

A chegada a essa região, entretanto, não representa confirmação automática de fundo. Para que o cenário de recuperação ganhe consistência, será necessário observar sinais de enfraquecimento da pressão vendedora.

Entre os padrões técnicos que podem reforçar essa interpretação estão o martelo, caracterizado por uma longa sombra inferior, o engolfo de alta e outras formações clássicas de reversão. Esses sinais poderiam indicar um falso rompimento, situação em que o índice perde temporariamente um suporte, mas recupera o nível na sequência.

“Então é uma região que eu colocaria muita ênfase e esperaria muita briga do mercado com um potencial falha”, ressalta Pereira.

Gráfico semanal do Ibovespa mostra a possível formação de alargamento e os principais suportes projetados pelo analista. A média móvel de 200 períodos, em azul, aparece como referência adicional em caso de continuidade da queda. Fonte: Aliakyn Pereira (Kyn), analista da Clear.

Queda pode se estender até os 145,5 mil pontos?

Caso o Ibovespa não apresente sinais de reversão e confirme a perda da primeira região de suporte, a análise indica espaço para uma correção mais profunda.

Nesse cenário, a próxima referência está nos 145.500 pontos, patamar próximo à média móvel de 200 períodos no gráfico semanal, indicador utilizado para acompanhar a tendência de prazo mais longo.

A perda dessa região colocaria no radar os suportes seguintes, identificados nos 131.300 pontos e, posteriormente, nos 117.800 pontos.

Esses níveis representam referências técnicas sucessivas, e não necessariamente objetivos que serão alcançados. A confirmação de novas perdas dependerá do comportamento do índice diante de cada suporte e da intensidade da pressão vendedora.

O que pode indicar uma recuperação do Ibovespa?

Apesar da deterioração recente, Pereira considera que a possibilidade de uma reação compradora não deve ser descartada, especialmente diante da amplitude da queda.

Na leitura do especialista, o cenário mais relevante seria uma tentativa de rompimento da extremidade inferior do padrão de alargamento, seguida de recuperação dos preços. Esse comportamento poderia sinalizar uma falha de rompimento e favorecer um movimento de alta no curto prazo.

Por outro lado, a ausência de reação consistente manteria o predomínio vendedor, aumentando a atenção sobre os níveis inferiores já identificados no gráfico.

Assim, o comportamento do índice nas próximas sessões será determinante para avaliar se a correção começa a perder intensidade ou se a estrutura técnica continuará favorecendo novas baixas.

“Então cabe ao investidor mapear muito bem essa região e usar dela como uma região de potencial mudança de comportamento”, conclui Pereira.

(Rodrigo Paz é analista técnico)

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